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Mensagens

A mostrar mensagens de Abril, 2013

Odores Mortíferos

Toda a gente sabe que os transportes públicos não transportam só pessoas. Há um mundo a viajar por aí de um lado para o outro.  Toda a gente sabe que as pessoas não são inodoras. Umas cheiram bem, outras nem tanto assim. Os transportes públicos transportam cheiros, para além das pessoas que neles viajam.
Numa das minhas viagens diárias de comboio, fiquei sentada em frente de uma rapariga que falou ao telefone durante todo o percurso. Até aí, nada de especial.  Não fosse a dita rapariga ter um hálito terrível, eu não teria esta história para contar... Durante esta tenebrosa viagem, tentei de tudo: cheirar as minhas mãos, virar a cara para o lado, snifar o livro que estava a ler, deixar de respirar... Mas não serviu de nada. O cheiro que a boca da menina exalava, vinha sempre de encontro ao meu nariz. Rezei para que ela acabasse a conversa, mas claro, de nada adiantou, a rapariga tinha imenso que contar a quem estava do outro lado do telefone.  Acabei por dar por mim a desejar que ela …

Apresento-vos:

J.- O Poeta

"Depois de Ter Você"

Esforço

- Oh mãe, porque é que eu me esforço mais do que todas as pessoas? - Esforças-te mais em quê? E mais do que quais pessoas? - Em tudo. Do que os meus colegas. - Dá-me lá um exemplo. - Por exemplo, nas coisas da escola. Eles não se esforçam para terem tudo certo... - Se calhar, não se preocupam tanto com isso quanto tu. - Mas deviam... Eu é que não quero passar pela vergonha de ter insuficientes! - Não é vergonha nenhuma. Se calhar eles esforçam-se mais noutras coisas, que tu não te esforças. Por exemplo, tu não te esforças por fazer a letra sempre direitinha em cima das linhas, não te esforças por pintar bem... - Agora, já me esforço por pintar bem! A letra, para escrever depressa, não dá para ficar sempre direita. Nos ditados tenho que escrever depressa! - Mas os teus colegas, se calhar, esforçam-se mais nisso. O que quero dizer, é que as pessoas esforçam-se mais naquilo que é mais importante para elas. Provavelmente, o que é mais importante para ti, não é o mesmo que é mais importan…

Gente Estranha

Gente estranha 1 Estávamos sentados, eu e o pai do J., na sala de espera do hospital e eis que chega um casal com dois filhos.  A mãe das crianças senta o mais pequeno (de mais ou menos quatro anos) numa cadeira e diz: - Agora ficas aí sentado! Se te atreveres a levantar, parto-te os dentes todos! Dois segundos depois, o pai da criança pega-lhe na mão e diz: - Anda, vamos lá para fora que está mais fresquinho! A mãe não lhe partiu os dentes (pelos menos naquele momento).  Pareceu-me que a criança não entendeu nada daquela história. 
(Eu não entendi e tenho mais trinta e tal anos do que ela).

Gente estranha 2 A andar pela rua. Quando chegámos à esquina de um prédio, vemos uma criança aparecer sozinha a correr, quase indo parar ao meio da estrada.  Três segundos depois, aparecem os pais em passo pachorrento. O pai grita-lhe: - Se te afastas de nós outra vez, levas um chapadão!
(Se eu fosse aquela criança, afastar-me-ia daqueles pais sempre que me fosse possível. Mas isto sou eu que sou e…

Liberdade

Liberté, égalité, fraternité!

Tenho seguido as notícias que vão aparecendo sobre as manifestações em França contra o casamento gay e a adopção de crianças por casais homossexuais. Tenho tentado, a muito custo, compreender quais as razões que levam tanta gente às ruas para se manifestarem contra uma lei como esta.

Sinceramente, tenho-me visto "às aranhas" para perceber esta gente!

França, a terra da "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", cheia de gente indignada com uma lei que respeita em pleno o lema nacional?!

Na notícia que lerão (se clicarem no link acima) poderão ver algumas das palavras de ordem gritadas nestas manifestações: "vocês estão a assassinar crianças!";"um pai e uma mãe!".
Chego à conclusão que o que se passa aqui é uma total distorção do conceito de família.  Se uma família se reduzisse à existência de um pai, uma mãe e os filhos, estávamos nós muito bem. Se essa fosse a fórmula ideal para termos crianças saudáveis e felizes e, consequentemente, adultos sau…

O Rocky e o Amigo

O J. passa em frente da televisão quando está a dar este filme e diz:
- Olhem, é o Rocky e António Bredas!

Os CTT Blogosféricos Agradecem

Mais um selo... A Benedita mais linda da blogosfera, do blogue Aqui não pousam corvos, selou-me de novo!  Desta vez, o selo é da Campanha de Incentivo à Leitura. Um bom incentivo portanto.


Vamos lá às regras?
1.ª Regra: indicar 10 blogues para passar o desafio. É proibido passar o "laço" a quem quiser levar, não nomeando blogues:
- Ok, se é proibido, eu não passo a quem quiser levar, simplesmente não passo a ninguém, pode ser? E nomeio 10 blogues. Não para lhes passar o selo, mas porque gosto deles e porque é proibido não nomear blogues. Podem sempre levar o selo, mas só se não o quiserem levar, pois se quiserem, não podem, porque é proibido, ok?

Deste modo, aqui estão eles:

Beijinhos EmbrulhadosFelina (tramo-te sempre, não é Felina?)Sem medo de ser felizPseudoblogarrifanaseaO Gelo também QuebraÉ só por AmorO meu livro de mágoasJonasnutsLuz Sombria 2.ª Regra: avisar os blogues escolhidos e colocar a imagem no teu blogue para divulgar a campanha: - Primeira fase da regra nº 2, não cu…

Estou Triste

Não consegui ir ao evento Todos por um.  O pai do J. tem andado com febre desde quarta à noite e no sábado tivemos que ir ao hospital, pois a dita não passava por nada. Era Ben-u-ron intercalado com Brufen e a febre não descia. E subia quase aos 40º. Ainda pensei em ir depois do hospital, mas o homem estava desgraçado. Olhinhos tristes e mimo às pazadas. Deixá-lo sozinho mais um dia era uma maldade, já que ele tem estado desde quarta até sexta sozinho em casa e entregue às febres altas. Por isso, peço desculpa ao Rodrigo. Ajudarei por transferência bancária e ficarei aqui a torcer para que se encontre uma maneira de se matar esse bicho malvado da leucemia.

Bigode de Josés

No elevador, eu e o J.. 
Vejo-me ao espelho e digo: - Tenho que tirar o bigode. - Tu tens bigode? - Tenho. Vês estes pelinhos aqui? - chego a cara perto dos olhos dele e aponto para o buço. - Ah, mas são pequeninos... - Sim, mas tenho que tirar na mesma. - As mulheres têm bigodes como os daqueles Josés? - Josés? - Sim, aqueles homens que têm um bigode assim...- com os dedos faz um gesto que parece estar a afiar as pontas do bigode - Os Josés do Benfica, que vão ver os jogos para o café e bebem cerveja Sagres, sabes?  - Humm, estou mais ou menos a ver... - Quando o Benfica marca um golo dizem "Beeennnficaaaa!". - faz voz grossa. - Humm... Esses homens têm todos bigodes assim? - Têm. Como o daquele vizinho que sempre que me encontra no elevador diz "és do Benfica, não és?". O do bonezinho.  - Sim, sei quem é.  - As mulheres também têm desses bigodes?  - Se calhar algumas têm... Mas acho que não são tão grandes. - Pois os grandes são os dos Josés.

A Sombra do Papel Pardo

Livros forrados de papel pardo inundam os transportes públicos nas mãos de donas-de-casa e profissionais de duvidosa satisfação emocional, escondendo cinquenta sombras de um príncipe (supostamente) encantado destes tempos (ditos) modernos. Mas não escondem só sombras. Escondem a atracção destas mulheres por aquele que encanta uma gata borralheira amestrada à laia de jogos eróticos e perversidades várias e que enche as suas vidas, que de tão descontentes que parecem, precisam de sonhos impressos em romances de cordel, mascarados de literatura, e escondidos sob forras de papel pardo. Avé Grey!

Mundo Ensaboado

Extraio inspiração não só dos livros que outros escrevem como dos banhos que tomo. Pudesse eu escrever nos azulejos embaciados do duche os textos que me assaltam enquanto lavo os pés ou esfrego o cabelo, construiria prosas de beleza inolvidável.  No instante em que deixo o meu corpo à mercê da chuva quente do banho, frases escorreitas deslizam no meu cérebro com uma fluência assombrosa... sem, porém, terem por onde se revelar. Não fosse eu ter que sair de debaixo de água para evitar o encarquilhar da pele, e as paredes do duche serem impermeáveis aos meus pensamentos, escreveria um mundo ensaboado em gel de banho e champô.

Este é o 500º "Post"!

Quem diria que escreveria tanto por aqui?
Dos 500 posts há muita porcaria, é verdade, mas também há algumas coisinhas de jeito...
Mesmo assim, estou contente com o meu blogue dos coraçõezinhos!


Ecos de Nada

Disse aqui algumas vezes que, na minha opinião, as pessoas são mais do que aquilo que possuem. Hoje, vejo que me enganei. Há pessoas que se lhes tirarmos o Ipod, o Ipad, o carro de alta cilindrada, a casa da moda, ou a pulseirinha da Pandora, não são mais nada. Despi-las dos seus pertences, é como despi-las delas próprias. Sem coisas que lhes confiram um determinado estatuto imaginário, apenas encontramos nelas escuridão e vazio. O que sobra dos seus egos faz eco nas paredes despidas das suas almas. Resta apenas um silêncio que grita o vazio.

#20 Músicas Que Entranham

Vamos ajudar o Rodrigo? Hã? Não ouvi nada. Gritem mais alto!

Leoa

A Silvina (sei que não se chama assim, mas para mim será sempre Silvina) é uma miúda de trinta anos, que ontem pôde, enfim, descansar em paz... Depois de uma cruzada, de quatro anos, contra um cancro que não lhe deu sossego, pôde, finalmente, pousar a cabeça na almofada e serenar. 
Digo "é", porque a Silvina nunca deixará de ser. Por mais anos que passem sobre a sua partida, vai ficar sempre nos corações de quem, de perto ou de longe, foi seguindo os seus Episódios de Radio.
Não consigo falar nela no passado, porque ela nunca será passado!

Se ousasse descrevê-la, diria que a Silvina é um pouco do que há de bom por aí: o riso e o humor; a garra da leoa; a força das marés; a florzinha que nasce por entre as pedras da calçada; o último raio de sol que espreita, ao fundo, na linha do horizonte, quando a noite teima em tomar conta dos nossos dias; as águas do mar que nos embalam com a sua melodia e magnificência...

A Silvina partiu, mas não se foi embora.

Até já, menina!


Problemas de Expressão

Fui a uma reunião em que me passei. Tinha umas tantas verdades atravessadas na garganta, que me saíram de enxurrada. Disse tudo o que há muito tempo devia ter dito. Como não fui dizendo aos poucos, fui acumulando e, nesse dia, o da reunião, despejei o saco. Parecia uma metralhadora a disparar, não em todas as direcções, mas na direcção que eu queria. Disparei, disparei, disparei... Até que vi o meu alvo a enfiar-se cadeira abaixo. Fui abrandando os disparos, sem, no entanto, os cessar.   Quando guardamos demasiada tralha velha no armário, ela começa a apodrecer. É mais acertado ir deitando fora o que não interessa progressivamente, à medida que vai entrando em desuso. Mas neste caso, eu não fiz isso. Por achar que as coisas se iam resolvendo, por achar que o meu alvo não era um alvo estático, que evoluiria, e que essa evolução o iria ensinar a deixar de ser tão merdas. Enganei-me. A merda continuou sempre a mesma, e pior, agudizou-se. Veio com prepotências e armada com condições e ma…

Quá Quá!

Estávamos no jardim da Gulbenkian a ver uma mãe pata e seus patinhos. De repente, um pato, macho, aproxima-se. A pata, enfurecida,  ataca-o. Morde-o no bico como se lhe estivesse a dar "linguados".  O J. pergunta: - Eles estão a beijar-se? - Não, estão à luta. - respondo. A luta entre a pata e o pato continua. O J. pergunta: - Mas porquê? - A pata está a defender os patinhos do pato. As mães (animais) são assim. O pato vem chateá-la e ela enxota-o, lutando com ele, para proteger os filhos. - É como tu, mãe, a proteger os filhos. Quando alguém me quer fazer mal, tu atacas. - A proteger o filho, só tenho um. Achas mesmo que eu sou assim? - Acho, tu és mesmo assim, como a pata.
Continuámos o passeio. Mais à frente, o J. diz: - Pai, agarra-me lá para a mãe me vir defender. Mãããee, o pai está a agarrar-me. Olha!

Só Para Dizer Que Te Amo...

Ler

Tenho ouvido algumas pessoas dizerem que obrigam os filhos a ler. Um livro por mês, x páginas por semana, um livro durante as férias, etc. Dizem que é para eles aprenderem a gostar de ler, para não perderem o treino, para se familiarizarem com os livros...
Eu nunca obriguei o J. a ler. Nunca. Todavia, ele aprendeu a ler aos cinco anos.  Primeiro queria saber as letras, depois começou a juntá-las. Formou sílabas e depois palavras. Das palavras às frases foi um salto. Quando as frases não lhe chegavam, leu textos. Quando os textos lhe souberam a pouco, leu livros. O J. lê livros sozinho e lê livros connosco. Traz alguns da biblioteca da escola, que lê também nos intervalos das aulas, e às vezes eu compro-lhe um ou outro. Na verdade, compro-lhe muitos. Tantos, que quando chego a casa e lhe digo "tenho aqui uma coisa para ti!", ele responde-me logo "já sei o que é. É um livro, não é, mãe?". Mas não o obrigo a lê-los. Trago-os, porque sou uma apaixonada por literatura …

Os Meninos Pequeninos

Cheguei à "brilhante" conclusão que não somos governados por adultos, mas por meninos. Não por meninos "dos grandes"- aqueles que já passaram a fronteira entre o infantário e a escola primária - mas por meninos pequeninos que ainda fazem birras a espernear e a atirar os brinquedos quando são contrariados. 
- Buááá!!! O menino Sócrates é mau, desarrumou o país e agora somos nós que o temos que arrumar!
- Buááá!!! Os juízes do TC são maus! Não nos deixam fazer asneiras à vontade e vão-nos pôr de castigo! Assim, já não somos vossos amigos!
- Buááá!!! Os outros meninos tiraram-nos os brinquedos! Também lhes vamos tirar os deles! Se quiserem gastar dinheirinho nalguma coisa, têm que pedir aqui ao capitão do navio!
- Buááá!!! Puseram de castigo o menino mais mau da sala e vão-lhe tirar o curso que a mamã dele lhe comprou!
- Buááá!!! Porque estão sempre a tentar impedir que brinquemos com as vidinhas dos outros meninos? Nós somos crianças e temos o direito de brincar!
E …

Desengane-se...

Desengane-se quem pensa que pode controlar os gostos dos filhos, toda a vida; Desengane-se quem pensa que a força e a disciplina os vão fazer sempre bem-educados; Desengane-se quem acha que é a rédea curta que os prepara para a vida; Desengane-se quem pensa que levar a vida demasiado a sério é o que os vai fazer felizes; Desengane-se!

Os Comprimidos

Fui com o J. à farmácia.  Já no carro, ele pergunta-me: - Para que são esses comprimidos, mãe? - É a pílula. - respondo. - Sim, mas é para quê? - Para não ter filhos. O rosto do J. torna-se lívido, os olhos trejeitam pânico, meio a gaguejar deixa sair um:  - O quê? - Estes comprimidos servem para não ter mais filhos. - Mãe, não estás a falar a sério, pois não? Olha que já me está a dar vontade de chorar... - Oh J., eu agora não quero ter mais filhos, por isso tomo estes comprimidos. Mas não precisas ficar assim. - digo tentando amenizar a coisa. - Quanto tempo é que isso dura? - O quê? O efeito? - S-sim. - Dura o tempo que eu tomar os comprimidos. - Então, pára já de os tomar! Sabes que muitos remédios fazem mal, não sabes?- diz ele em estado de alerta. - Sim, eu sei, mas agora não quero ter filhos, por isso é que os tomo. - Mas eu quero ter um irmão... Antes dos dez anos. - Pois J., mas não és tu que decides isso. Quando eu quiser ter outro filho paro de tomar os comprimidos e, pron…

Belém Art Fest

Este sábado fomos AQUI.  Saltitámos de museu em museu, ouvimos música por aqui e por ali, andámos de Lancia, a minha mãe espreitou o workshop da Loreal... Enfim passámos uma noite bem agradável.
O J. ficou enfeitiçado com o fado. Quem diria, hã? 
No Museu dos Coches, era ele a ouvir a música e a abanar a cabecita "à fadista" e eu, a minha mãe e o pai, pacientemente à espera dele para nos irmos embora.  Adorou a Teresinha Landeiro que, segundo ele, "tinha uma voz perfeita", e os Teamen (homens com um barril de água a ferver às costas que, por lá, andavam a vender chás Tetley) que lhe (me) venderam "o melhor chá que alguma vez bebeu na vida".
Nesta noite, ficou a saber: - que há vários tipos de coches, até uns para as crianças;  - que os nossos Reis eram um bocado feios;  - que o retrato mais giro dos nossos Presidentes da República é o do Mário Soares, pintado pelo Júlio Pomar;  - que o Cavaco já devia estar a dormir àquela hora e que tem um bar Heineken …

Pessoas Feias

Há pessoas arranjadinhas, bonitinhas, muito lavadinhas, direitinhas, com ar queridinho.
E há pessoas feias...

Que podem ser precisamente as mesmas. Pois a fealdade nem sempre é visível. Especialmente, quando ela está lá bem dentro e escondinha.

Saudades

O tempo traz o vazio, as imagens foscas, os cheiros distantes, o som quase inaudível. 
Ela longe, deitada no chão, a adormecer. Eu ao lado, dorida, magoada, sofrida. O choro já não está nos olhos, mas na pele. Tento limpar as lágrimas que me percorrem as veias. Não saem. E faço-lhe festas. Sinto o pêlo que tão bem conheço. Acompanho as últimas inspirações. Será esta a última? Pergunto-me. Será agora que me vai deixar? Os olhos quedos, cerrados. O corpo ainda quente. Que estará a sentir agora? Estou a perdê-la. Perdia-a! Mas o corpo ainda ali, a poucos minutos de ter caído por terra. Está cheia de terra. Quero limpá-la. Quero que se levante. Mas já não se levanta. Cheiro-a. É ela, a minha égua, que se vai embora. Era. A partir deste minuto, foi. E deixou-me aqui sozinha a querer abraçá-la.

Eu Ia Falar No Relvas...

... mas como já não há Relvas frescas, decidi ir pastar para outro lado.


Vou Começar a Babar-me. FUJAM!!!!

Contei à minha mãe, em frente ao J., o estado de stress em que me encontrava. Contei-lhe que hoje me senti mal, que toda eu tremia, que o coração estava tão acelerado que pensei que me ia dar um "treco", que até cheguei a ver estrelinhas (literalmente), que andava a dormir uma média de três horas por noite e que estava mesmo muito cansada. O J. , que foi ouvindo o que eu dizia, saiu-se com esta: - Mãe, tu hoje não fazes mais nada! Deixa que eu descongelo o jantar. Pensas que eu não sei? Eu sei muito bem! Diz-me só quantos minutos são! - Eh, J., não é preciso. - Não, a sério, quantos minutos são? - Deixa lá isso. Depois vemos. Mas obrigada!
Estávamos os dois (eu e o J.) a ver o programa Vale Tudo, que ele tinha gravado no domingo, e ele diz-me: - Mãe, eles estão todos a rejeitar o coelhinho! Coitadinho! Já estive quase a chorar! Eu, que ainda não tinha visto o coelho (pessoa mascarada de coelho cor-de-rosa), porque cheguei mais tarde ao pé da televisão, pergunto: - Coelhinho…

Dia da Consciencialização do Autismo

Hoje, na escola do J. viu-se um filme sobre um menino autista. A intenção era explicar, aos outros meninos, como agem os autistas e como eles, meninos não-autistas, deviam reagir a alguns comportamentos que ainda não percebiam muito bem. O J. explicou-nos que têm muitas rotinas e que se alguém as perturbar costumam ficar irritados, que, às vezes, se agarram à cabeça e a abanam ou batem-lhe. Perguntei-lhe: - E então, ficaste a saber o que se faz nessas ocasiões? - Não. - Mas o filme não era para isso? Para ficarem a saber o que fazer? - Era. Mas já não me lembro. Ele era igualzinho ao M. (menino autista que o J. conheceu há pouco tempo).
- Pois, é normal o M. fazer coisas parecidas com o menino do filme. Os meninos com autismo têm problemas de sociabilização e, por isso devemos aprender a lidar com eles de maneira a não os assustarmos.
- O que é isso, sociabilização?
- É relacionar-se com as outras pessoas. Esses meninos vivem, um bocadinho, num mundo só deles e, às vezes, não nos pod…