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J. Socrático

J. a ver a entrevista a José Sócrates...
- Fogo, não conseguimos ouvir o José Sócrates, eles estão sempre a interrompê-lo!
- Pois J., costuma ser assim...
- Porquê?
- É para depois poderem fazer uma coisa que se chama "especular". Se o deixassem acabar as frases não podiam especular à vontade, pois ele poderia acabar o raciocínio.
- O que é especular?
- É fazer suposições, ou melhor inventar que ele queria dizer isto ou aquilo, conforme lhes dê mais jeito. Isto acontece muito nas entrevistas a políticos para porem as pessoas a falar no assunto e venderem mais notícias.
- Ah! Já estou a gostar mais do Sócrates.

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#9 Excertos de uma coisa qualquer

O sol baixou para mais perto da linha do horizonte, ficando a um palmo do mar. Tinha-se passado tempo que não senti. Chet Baker tocava, agora, trompete só para nós. “I talk to the trees” pairava pela esplanada em busca do melhor lugar para se aninhar. Aninhou-se ali, entre mim e aquela mulher-menina. Não havia mais ninguém na esplanada, o casal da única mesa ocupada além das nossas tinha desaparecido, por isso o empregado aumentou o som. Faziam-no sempre que não havia gente que se pudesse queixar do barulho. Nunca me queixei. Antes pelo contrário, era essa a razão que me levava a percorrer quilómetros até ali: o jazz, por vezes alto, quanto mais alto melhor, e o sol a pôr-se no horizonte, quanto mais baixo melhor. - É a primeira vez que aqui venho – interrompeu-me, Ana, os pensamentos como se os lesse e precisasse de lhes responder – Costuma cá vir? - Sempre. Quase todos os dias no verão. - Porque não gosta de Direito? – saltava de tema em tema como se todos estivessem interligados. - Não…

#7 Excertos de uma coisa qualquer

Sentei-me na mesma mesa do canto. Pedi uma cerveja, acendi um cigarro e fiquei a olhar o mar. A esplanada estava quase vazia. Às três da tarde é normal não haver muita gente por aqui. Está muito calor. É a hora de que mais gosto, porque o vazio do espaço e a paisagem cheia ajudam-me a rascunhar palavras no meu caderninho. Escrevo frases soltas, sem grande nexo, que depois uso nos meus livros. O mar, lá em baixo, no fim da falésia a bater nas rochas e a brisa ligeira, cá em cima, a refrescar-me a mente, libertam as palavras que tenho presas em mim. Preciso de as soltar para voltar ao ténue equilíbrio que me mantém vivo. Trouxeram-me amendoins salgados. Sabem que são os meus aperitivos preferidos para acompanhar a cerveja. Bebo-a com mais gosto e com mais sede. Bebo golos pequenos, o gás faz-me arrotar se a tentar beber de um trago. Por isso, depenico a cerveja, e os amendoins, da mesma forma que sempre depeniquei a vida. Ela surgiu no cimo das escadas que nos leva até à esplanada. Sent…