Avançar para o conteúdo principal

J. das Cruzes

Imagem retirada da Internet

O J. tem um casaco ao estilo do Tom Cruise em Top Gun - Ases Indomáveis.
Comprou-o a avó, depois de ele lhe ter dado a volta.
Na loja, vestiu-o, todo vaidoso, e passou todo o tempo, com ele vestido a ver-se ao espelho e a fazer poses todas "estilosas". Por fim, a avó, embevecida com o cachopo, comprou-lho.

O pai do J., que é o gozão-mor cá de casa, começou na brincadeira com ele:

- O J. da Cruzes está na carteira da sala de aula como se estivesse numa esplanada. Vê a C. (outra miúda dos Pontapés, amiga da D.) e atira-lhe um F16 de papel à cabeça. Ela repara na camisola do J., cheia de medalhas, não das de metal, mas daquelas que o esparguete lhe fez quando lhe caiu na camisola, porque o J. não se aproxima da mesa para comer, gosta de se recostar na cadeira à estiloso. Ele olha-a com o seu olhar mais irresistível, espreita sobre os seus óculos Ray Ban, pisca-lhe o olho e diz "Oi boneca, queres vir almoçar comigo na cantina da escola?". A miúda fica impressionada com as medalhas que lhe adornam a camisola e aceita o convite.

O J. ri-se às gargalhadas e o pai continua:
- Ou então, pergunta-lhe "Oi boneca, queres trocar de lanche comigo, que eu já estou farto das maçãs e das peras que a minha mãe me põe na lancheira?"

Eu intervenho:
- Ou diz-lhe "deixa-me comer o teu Bolicao, que a minha mãe só me põe fruta na lancheira!"

O J., na sua inocência de menino, responde-me:
- Ah ah ah ah! Mas a C. quase não traz lanche quanto mais Bolicaos!

Glup! Calámo-nos.

Comentários

  1. Há cada vez mais crianças que vão para a escola sem pequeno almoço (sempre aconteceu) e sem lanche (este pode compreender-se um pouco)
    Tristeza! Coração apertado!
    Abracinho meu!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…