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Amar-me

Quero amar-me como tu me amas, quero amar-me como te amo... Encontrar aquela que é digna do teu amor, dentro de mim. Onde está ela? 
Porque a vês tu, e eu não? 
Procuro-a na sombra que me persegue quando caminho, no reflexo das poças de água, nos contornos do vento, no vazio escuro que se reflecte no espelho. 
Porque a vês tu, e eu não?
Procuro-a incessantemente nos momentos em que tão só me sinto na minha pele, na pele que envelhece e se torna flácida. Flácida como a minha alma que já não estica ao que foi um dia e que transpira ecos de silêncio.
Quem me dera ver o que tu vês em mim, e amar com a mesma força este imenso vazio que me percorre as veias. Procuro-o em vão, sem nunca o encontrar...
Porque o vês tu, e eu não?
Quero sentir o teu corpo no meu sem repulsa pelo que sou, deixar-te entrar em mim num todo, ficar na tua pele que será minha, e largar a minha flácida e vazia. Tornar-me uma extensão de mim em ti, respirar pelos teus poros e descobrir o que te une a este corpo desalmado.
Quero amar-me como tu me amas e amar-me como te amo...

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Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…