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A Gabarolice É Uma Cena Tramada!

Geralmente, a gabarolice é sinal de insegurança. Eu, insegura confessa, não me gabo. (Olhem só para mim a gabar-me por não me gabar! Tramado, não?).

Mas, por vezes, a gabarolice é necessária.
Eu explico como:
A maior parte das pessoas pensa que quem não exibe os seus feitos ou as suas capacidades não vale nada, não tem confiança em si próprio, não é capaz. A ausência de demonstrações de aptidões é vista como a ausência das próprias aptidões, o que não é, de todo, verdade, mas se não as demonstramos as pessoas são preguiçosas e não as conseguem ver nas entrelinhas do nosso ser. Não estão para isso, porque dá muito trabalho tentar analisar os outros para além daquilo que eles nos atiram olhos adentro. É difícil, trabalhoso, mas não é impossível. É preciso uma certa abertura e vontade para escarafunchar as personalidades alheias, é preciso ter um certo gosto nisso também. Eu tenho esse gosto. O que gosto mais nos outros é mesmo o que está escondido. Fascina-me aquilo que não se vê facilmente, fascina-me escarafunchar personalidades e descobrir o que, intencionalmente, não se quer mostrar. Podíamos chamar-lhes "os podres dos egos", mas não são só podres que se descobrem... Descobrem-se coisas maravilhosas dentro de cada um de nós, que se não nos dermos ao trabalho de procurar, nunca conheceremos. É por isso que a gabarolice me passa um bocado ao lado...
Quando alguém se gaba diante dos meus olhos, deixo-o gabar-se. Não o aprecio, é certo. Às vezes, irrita-me, mas sei que depois dessa exibição de competências, vem o meu presente: a verdadeira essência daquele ser que está ali à minha frente. É a ela que me agarro, é com ela que tento justificar a extrema necessidade de afirmação daquele ego, é dela que gosto, mesmo com todos os seus "podres".

Há uma linha que separa a gabarolice da não-gabarolice há, pois há! Ela está exactamente na necessidade que cada um tem de se sentir aprovado pelos outros. Pessoalmente, não sinto grande necessidade que os outros me olhem com admiração (cá estou eu, outra vez, a gabar-me de não ter necessidade de me gabar). Claro que gosto que gostem de mim, seria completamente estúpida se o negasse, mas não tenho grande necessidade que me admirem e digam "ah, és óptima nisto ou naquilo!". Tento ser melhor, não pelos outros, mas por mim, o compromisso que tenho é comigo, por isso a gabarolice não é muito a minha praia.
No entanto, compreendo a necessidade que algumas pessoas têm em se afirmarem. Se não atirarem à cara dos outros o boas que são, esses outros nunca o verão: Porque dá muito trabalho, porque só se darão a essa imensa trabalheira se acharem que a pessoa em causa vale a pena. É preguiça sim, mas não só... É também uma poupança de recursos - que eu compreendo, mas não adiro - porque o que me dá prazer é o  "escarafunchanço" e, porque a minha relação com os outros é quase sempre sustentada na essência deles, e na minha também, claro!

E a razão pela qual acho a gabarolice tramada é porque, não sendo ela um atributo admirável, não deixa de ser necessária a certas pessoas e não deixa de ser um veículo que nos leva, a nós seres sociais, aos outros e, especialmente, à verdade que está nos confins dos outros.

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