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A Carne de Cavalo

Estive para aqui a pensar se me fazia impressão esta questão da carne de cavalo misturada com a de vaca em certos produtos alimentares. (Como sabem sou amante confessa de cavalos). Mas cheguei à conclusão que não me faz especial impressão.
Na verdade, comer cavalos, vacas, borregos, porcos, ou outro animal qualquer fazem-me precisamente a mesma impressão. Se enquanto como um animal, estiver a pensar no animal, e não na refeição, fico incomodada. Não sou vegetariana, nem estou próximo de o ser, mas perturba-me a maneira como, os animais que comemos, são tratados nas pecuárias, nos matadouros e afins. O poderio humano é demasiado cruel. E essa crueldade é a que mais me impressiona nisto tudo.
Claro que sinto uma maior afinidade com os cavalos e, se pensar na hipótese de ter comido algum cavalo  meu conhecido, sinto-me uma canibal. O mesmo aconteceria se comesse uma vaca ou um borrego meus amigos. 
Porém, acho que, enquanto como, consigo mais ou menos bem, alhear-me do facto da carne que está ali no prato ter sido, um dia, um animal. No momento em que lhe espeto o garfo, é tão só carne, comida e nada mais.
Também não me importaria de deixar de comer carne, se achasse que isso mudaria a maneira como as pessoas tratam os animais. (Até nem gosto assim tanto de carne). Mas não acredito que mudasse alguma coisa, por isso acho que não vale a pena o esforço e a ginástica para arranjar legumes que substituam as proteínas da carne.
A crueldade continuaria, mesmo que todos nós deixássemos de comer animais.
A crueldade é inerente ao Homem. Se não fosse nas pecuárias ou nos matadouros, o Homem arranjaria outro sítio qualquer para torturar animais. Tal como continua a torturar pessoas, apesar dos circos romanos e da escravatura já terem sido abolidos.

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