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Três Tristes Totós

Estação. Plataforma da linha do comboio. 
Três Tristes Totós armados em homens. Um, com ar de mau, carrega consecutivamente no botão de chamada do elevador, as porta abrem-se logo após se fecharem, vezes sem conta. Os outros dois riem-se. "Ya, o nosso amigo é bué de rebelde, vejam só como ele abre tão bem as portas do elevador! Yé, meu, bué de nice!"
Passa uma rapariga em calções curtinhos. Os Três Tristes Totós olham-na com um ar ainda mais totó do que o inicial, quase salpicando a baba, que lhes molha os cantos da boca, nas pernas dela.
Passam mais duas raparigas, desta vez ambas com o cabelo cor-de-rosa. Os Três Tristes Totós olham-nas e riem-se bem alto.
O totó, encarregado da porta do elevador, carrega mais uma vez no botão. "Ui, que sou assim, tipo... tão mau!".
Todos os Três Tristes Totós são jovens, mas com idade para já terem alguma coisa dentro da cabeça. Não têm, apesar de já lhes terem nascido alguns pentelhos na cara, a que chamam barba. 
Passa mais uma miúda. Os Três Tristes Totós olham-na de alto a baixo. O ar de totós acentua-se fortemente. Parecem divertidíssimos. Mexem-se muito, demonstrando alguma vitalidade. Mas o vento, esse malandro, atravessa-lhes o cérebro a uma velocidade vertiginosa. Não dão por isso, não sabem sequer que o vento existe e, muito menos, que sofrem de uma corrente de ar intelectual.

Chega o comboio. Abençoado seja, que me salva de ficar tão triste quanto eles!

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Por entre livros e árvores

Estou sentada no sofá do supermercado junto aos livros.

Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

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