Avançar para o conteúdo principal

Pontapés de Amor

Em conversa pré-sono:

-Então J., como vão os namoros? Há novidades?
-Há! 
-Conta, conta!
Voz baixinha, como se estivesse a contar um grande segredo:
-Pontapés!
-Pontapés?!
-Sim, a D. tentou dar-me pontapés!
-A sério?
-Sim. Aqueles pontapés de quem não os sabe dar. Olha! - destapa-se e levanta a perna devagarinho e a direito até mais ou menos à altura da cintura.
-Humm! E tu o que fizeste?
-Fugi, claro! E ela foi a correr atrás de mim. Está mesmo apaixonada, não está?
-Pois, deve estar... 
-Sabes, nem todos os pontapés querem dizer que as pessoas, que os dão, estão apaixonadas por nós? Quando te disse isso, estava a referir-me a um tipo específico de pontapés que certas meninas dão aos rapazes, quando estão apaixonadas.
-Sim, eu sei, mas a D. está apaixonada por mim. Além dos pontapés, ela já me disse que gostava de mim.
-É verdade, já me tinhas contado. E se ela te deu pontapés desses hoje, deve estar mesmo!

Imagem da Net

Comentários

Enviar um comentário

Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...

Mensagens populares deste blogue

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


"Fostes"

Pai a ouvir este fado no Youtube. J.- Pai, põe lá essa música do princípio outra vez! Pai - Porquê? J.- Põe, põe lá outra vez... Do princípio. O pai reinicia a música. J.- Ela disse "fostes"! Ela disse "fostes"!
Mãe na casa-de-banho a fazer "algo" que ninguém pode fazer por ela. J.- Mãe, no fado que o pai está a ouvir a senhora disse "fostes"! Oh sim, um português muito bem "dizido". Até fiquei de boca "abrida"! Deu-me uma dor no "pescanhoço" e fome no "estôgamo"! Ah ah ah ah! Mãe - Deu-te isso tudo? J.- Claro! Com este português tão bem "dizido"...

Não sei se este "fostes" não será a conjugação da segunda pessoa do plural (vós) no pretérito perfeito do verbo "ser"...  Já ouvi a música várias vezes para tentar descobrir qual é o sujeito da frase. Parece-me ser "o fado", que no resto da cantiga é tratado por "tu", segunda pessoa do singular, mas fiquei na dú…

Grito

Há meses que não escrevo uma palavra. Quase como se estivesse de abstinência ou a fazer uma cura de desintoxicação.

Às vezes tenho ressacas. Dói-me o corpo e os dedos, sinto a cabeça cheia de palavras e frases, numa urgência de saírem por mim afora. O peito aperta-se-me e sinto-me prestes a explodir. Mas, depois, nada. Segue-se um vazio imenso, como se estivesse prestes a gritar: enchesse o peito de ar, abrisse a boca e dela apenas saísse silêncio. Um grito mudo. Um grito que nunca chega a sê-lo. E como que para me inebriar, afundo-me nos livros dos outros, nas palavras dos outros. À espera de ali encontrar as minhas. As minhas palavras que sucumbem ao vazio, que se calam.

Tenho saciado a fome de palavras, devorando livros, uns atrás dos outros. Como o alcoólico que bebe água a fingir que é vinho ou o fumador que masca pastilhas para distrair o desejo do cigarro, eu alimento-me de livros, enganando a vontade de escrever.

Caminho para a recuperação devagarinho. Este texto pode ser o in…

O Desprezo É A Melhor Arma

Não sou pessoa de dar desprezo a ninguém. Gosto de discutir, trocar ideias e pontos de vista e, por fim, de chegar a um consenso. Resolver a questão, arrumá-la ou atirá-la para trás das costas, porque a conversa nos iluminou os pensamentos difusos. Mas há pessoas, com as quais isso não é possível. Facto este, que me chateia particularmente... Gostava de conseguir esclarecer assuntos que acabam por ficar no ar e que geram mal-entendidos. Mas nem sempre consigo. Muitas vezes, não consigo. Ou porque a outra parte não está para aí virada, ou, pura e simplesmente, porque a única coisa que está disposta a ouvir é a sua própria voz. Tenho que admitir que, nestes casos, a melhor arma é o desprezo. Se o principal objectivo do nosso interlocutor é magoar-nos, enxovalhar-nos ou obrigar-nos a admitir que a razão nunca o abandona, não há matéria para discussão, nem vontade... Resta, apenas, o desperdício do nosso latim, atirado, com força, contra uma parede maciça, que acaba por o fazer evaporar …

Apoio Ao Estudo

A ex-AEC "apoio ao estudo", com a redução das AEC e o alargamento do horário escolar, passou a "disciplina" obrigatória, ou seja, não podemos prescindir dela, ou pura e simplesmente, não podemos deixar de inscrever os miúdos nela. Na minha triste ingenuidade, pensei que o "apoio ao estudo" seria para ensinar os miúdos a estudar, fazerem trabalhos de casa, uma espécie de sala de estudo onde pudessem fazer revisões e colocar questões a um professor. Mas não. O "apoio ao estudo" serve para as crianças terem mais um bocadinho de aulas e até para trazerem mais trabalhos para casa. Bela merda me saiu este "apoio ao estudo"! Se os miúdos já têm pouco tempo para respirar com os TPC das aulas, menos terão com os TPC do apoio ao estudo. Gostava de perceber qual foi a ideia de lhe chamarem "apoio ao estudo" se são aulas iguais às outras. Eh pá, gostava. A diferença está onde? No professor? É só para poder ser dado por um professor dife…