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O Elogio

O J. não gosta de beleza artificial. Mulheres muito maquilhadas (mesmo quando são muito bonitas), acha-as horríveis. Saltos altos, nem vê-los, "mãe, tira isso!". Colares e decotes ousados, fazem-lhe confusão. 
Beleza natural, cara lavada e poucas "espampanâncias", já são a área dele. Fascina-se com a foto de uma modelo que decora uma montra perto da casa da avó, que tem pouca maquilhagem e pele lisinha. 
No entanto, ele sabe que eu pinto o cabelo. Aceita o facto, porém sem o apreciar muito.

No outro dia, estava na casa-de-banho a pentear-me, quando o J. entra. Olha para a longa cortina de fios loiros a serem escovados, esboça um sorriso, entre o deliciado e o "não sei se hei-de gostar disto ou não", e diz:
- Mãe, desta vez, pintaram-te muito bem o cabelo!

Imagem da Internet


Vindo dele, isto era um elogio.

Sorri-lhe.

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A sesta

Às vezes ainda sinto o cheiro do colchão forrado a plástico impermeável azul do infantário. Volto à sala dos quatro anos, onde, na semi-obscuridade, tento dormir.
Vejo as persianas descidas quase até acima e conto os quadradinhos de luz que saem das duas últimas filas dos estores que ficaram por fechar. Fixo os olhos na luz e na vontade de sair para rua num dia bonito de Verão. Estou aprisionada naquela sala transformada em dormitório infantil e sinto, hoje, a mesma impaciência que sentia pelo fim da hora da sesta.

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"Bom dia e as melhoras!"

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