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Araci

Todos os dias três de cada mês, Araci vai buscar a carta que traz o dinheiro, e as notícias, que Jéferson lhe manda. Todos os dias três de cada mês, veste o vestido das florzinhas, que comprou especialmente para ele. 
Numa espécie de ritual, depois de pôr as crianças na escola, volta a casa para se arranjar. Tal e qual como se fosse receber  Jéferson, vindo de Portugal, à estação das camionetas. Despe a roupa do trabalho, toma um banho rápido, veste o vestido das florzinhas, perfuma-se com o perfume que ele lhe enviou lá da Europa e põe uma corzinha no rosto e nos lábios. Penteia os longos cabelos negros até à exaustão. Ficam lisinhos, lisinhos, como muito raramente consegue que fiquem. Apenas nos dias três de cada mês e quando ele voltar... Vê-se no pequeno espelho do quarto, roda a saia e calça as sandálias de pele, que comprou no senhor Josué, sapateiro da aldeia. Sente-se linda, naqueles dias três. Se o seu Jéferson estivesse ali agora, pegaria no violão e tocaria aquela música linda que só ele sabe tocar... E Araci bailaria para ele como uma flor que se solta e é embalada pelo vento... 
Sai de casa, linda, para ir buscar a carta com que sonhou o mês inteiro, desejosa de ler as palavras daquele homem, desejosa de sentir o cheiro que ainda resta no papel onde ele desenhou o amor que sente por ela. A vontade de abraçar o seu boiadeiro é tão imensa que não cabe no seu peito e, mal pega na carta, as lágrimas escorrem-lhe, cara abaixo, esborratando-lhe a maquilhagem e regando-lhe as flores do vestido.

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Por entre livros e árvores

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Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

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