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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2012

A Selva

Cometi a insanidade de ir às compras ao Continente em dia de Passagem de Ano. Eu, confessa apaixonada por compras, que se puder delegar essa tarefa a outrem dou saltinhos de alegria, vi-me sozinha e indefesa a aterrar em plena selva consumista.

Desde levar com encontrões distraídos dos chimpanzés saltitões, passando por ver hienas a atravessarem-se-me no caminho de braço estendido em direcção a uma qualquer iguaria tradicional da época (enquanto eu, alheia a tanta selvajaria, contemplava uma prateleira) até ter que me proteger de leões ferozes, de pá em punho, a escavarem a arca dos camarões congelados, como se não houvesse amanhã, aconteceu-me de tudo!

A vontade de fugir era tremenda. Estive quase a jurar que a minha Passagem de Ano ideal seria a comer cereais ao som das doze badaladas e que festejar o primeiro dia do Ano com uma caneca de leitinho com chocolate nas mãos. Esta seria a entrada no Ano Novo perfeita...
Só a consciência da maternidade me impediu de sair dali para fora a…

2013

Podia vir para aqui fazer uma revisão sobre o este ano que está, agora, a acabar e que teve mil e uma coisas más, especialmente neste país pequenino e triste que, cada dia que passa, fica mais triste. Mas não a vou fazer.  Porquê? Primeiro, porque não me apetece. Segundo, porque todos nós a vamos fazendo mentalmente, numa retrospectiva intencional ou... nem tanto assim... 
Quero apenas deixar-vos os meus votos sinceros de um óptimo

com tudo o que vos 
FIZER FELIZ!

Ar Puro

No carro:

- O que se passa J.? A avó disse que não falaste quase nada, nestes dias. - Não se passa nada. - Mas tu és tão falador... E agora quase não falas... Passa-se alguma coisa? Se se passar, sabes que podes dizer, não sabes? - Não se passa nada! - Mas sabes que, se se passar, podes dizer, não sabes? - Sei! - Falar é bom, ajuda os problemas e as coisas que nos chateiam a irem embora! - Eu sei!

Alguns minutos de silêncio...

- Eu não estou a gostar da minha vida agora! - Não? Então? Porquê? - Este mundo não vai durar muito tempo! O buraco está cada vez maior e as pessoas não se importam... - Qual buraco? O do ozono? É desse que estás a falar? - Sim! As pessoas não fazem nada para não estragarem o planeta e, assim, ele não vai durar muito tempo. - Ainda falta algum tempo para o mundo acabar... E as pessoas, algumas pessoas, já fazem alguma coisa para preservar o planeta. - Sim? O quê? - Separam os lixos, inventam carros que não poluem tanto... - Vamos arranjar um carro desses! - Ain…

Apetecia-me Escrever...

Sim, apetecia-me escrever qualquer coisa aqui, mas não consigo. Ando bloqueada, vazia talvez. Por mais que esprema, não sai nada, apesar do turbilhão de emoções em que tenho vivido. Choro por tudo e por nada. Especialmente, por nada. O nada invadiu-me, e ocupou o espaço que estava reservado à minha vontade de criar... de criar qualquer coisa, nada de especial, nenhuma obra de arte, mas aquela vontade de criar por criar, que vem associada às inquietações, às indignações e às sensações boas também. Sabem de qual estou a falar? Sabem, claro que sabem.  E o vazio... O vazio que se instala a partir do nada é aterrador! Quero sair de mim e ir ali encher-me de qualquer coisa... mas o espaço está todo ocupado... de nada. E não consigo...
Melhores dias virão. Assim espero... 

Humanidade

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Feliz Natal!

Só tratei das prendas e montei a árvore de Natal ontem, mas parece que ainda vou a tempo de festejar o Natal e de desejar, aos seguidores, leitores ocasionais e àqueles que caem neste blogue de pára-quedas, através de uma qualquer pesquisa no Google, como por exemplo "Macacos do Nariz", um:


Gatinho Zen?

Como sabem, o Gatossoa cá de casa sofre de Stress Felino, problema este que o tem martirizado com infecções urinárias consecutivas e que nos tem martirizado, a nós, com as suas asneiradas e os seus comportamentos agressivos.  Para as infecções urinárias, a veterinária já optou por mudar a marca da ração-especial-de-corrida para uma mais cara, sem que isso alterasse alguma coisa. Quanto ao comportamento só melhorou, um bocadinho, quando ele veio para casa ainda sob o efeito da anestesia que lhe deram para conseguirem fazer-lhe uma eco. Nesse dia, o Gatossoa era um doce: não nos mordia nem arranhava e ronronava como um motorzinho em pleno funcionamento. Sugeri à veterinária que lhe receitasse um dose pequena de anestesia, que ele tomasse todos os dias, para que conseguíssemos viver em paz. Claro que ela negou terminantemente tal solução. Mas teve uma ideia que, espero, talvez seja brilhante: mudar a ração-especial-de-corrida para as infecções urinárias, para outra ração-especial-de-cor…

Telenovelas

Em casa da avó a ver uma telenovela, cujo nome desconheço...
Cena um Uma fulana coloca um líquido (veneno ou sonífero) na bebida de um fulano.
J.- É por isto que eu não me interesso muito por mulheres! Avó - Por isto porquê? J.- Elas envenenam os homens! Avó, em defesa das mulheres - Não são só as mulheres que envenenam os homens. Os homens também envenenam as mulheres. São pessoas más, que podem ser homens ou mulheres!
Cena dois Um homem fala ao telefone, deitado na cama com outro homem.
J.- Ele é homemsexual? Avó - Homossexual. Sim, é! J.- Ele está a fazer sexo com o outro homem? Avó - Não, agora está a falar ao telefone! J.- Mas ele está todo nu, só com o lençol por cima... Ele fez sexo com o outro homem? Avó - Se calhar fez... Mãe, em pensamento, quase implorando - Não perguntes como, não perguntes como, não perguntes como....
Cena três Um homem e uma mulher estão aos beijos. Este é o fulano que foi envenenado/dopado pela fulana. Ele beija-a na boca e no pescoço, antes de cair pa…

A Obra de Arte

- Mãe, porque é que tu gostas de tudo em mim? - Porque tu foste a melhor coisa que eu já fiz até hoje! - Tu e o pai! - Sim, eu e o pai. Foste a nossa obra de arte! - Pois... O pai fez a tela, os pincéis e as tintas e tu fizeste o desenho!

Olhó Desafio Fresquinho!!!

Lost Lenore passou-me este desafio, que consiste em incentivar a leitura, através da apresentação de um livro de que tenhamos gostado. Como na maioria dos desafios, devemos passá-lo a 10 outros blogues. Mas como a minha indisciplina já é bem conhecida por estas bandas, ninguém se irá espantar se eu não o passar a ninguém em particular, mas a todos em geral. Por isso, quem estiver a ler este post considere que lhe passei este desafio. Pronto, está passado!
Agora, vamos ao livro: Quarto livro de crónicasdo António Lobo Antunes. "E porquê o quarto e não o primeiro ou o terceiro?" perguntam-me vocês. Porque eu não li o primeiro, nem o terceiro, só li mesmo o quarto. (Se não souberem o que me vão dar no Natal, podem aproveitar a deixa, ok?)  Este Quarto livro de crónicas marcou-me para toda a vida! Todas as crónicas deste senhor são maravilhosas, tanto pela forma como as escreve, como pela profundidade das suas palavras. Ele é acutilante, suave, terno, corrosivo e profundo, tão profu…

Dos Castigos

Já disse aqui que não gosto de castigos? Acho que sim. No entanto, penso que nunca será demais repeti-lo: Não gosto de castigos! Não gosto de castigos corporais, psicológicos, ou mistos! Não gosto de castigos na sua generalidade, pronto!
E detesto punições!
Por isso, ainda detesto mais castigos aplicados como forma de punições. Não admito que se castiguem/punam as crianças por errarem. Errar faz parte da aprendizagem. Errar é a parte mais importante da aprendizagem. Quem não erra não aprende, decora. É do erro que nascem as dúvidas, e quem não tem dúvidas não tem interesse em aprender. Não se pode destruir o berço da curiosidade, do gosto de aprender. Se se o destrói, destrói-se também a capacidade de aprendizagem.
Quem utiliza os castigos para punir os erros, não sabe ensinar; não quer alunos, quer máquinas! O mal, aqui, não está em quem aprende, mas em quem ensina. Se seguirmos a mesma lógica de quem castiga o erro, seriam esses "professores" que deviam ser castigados, nã…

Mammy - A Politicamente Incorrecta

Por mais que se esforce, não consegue ser politicamente correcta. Na verdade, não se esforça assim tanto...
Esta época natalícia é muito atreita a politiquices disfarçadas de espírito natalício, de bondade, de solidariedade ou de outras qualidades associadas a corações grandes. Se por um lado, promove algumas boas acções, por outro, também promove algumas hipocrisias desmedidas. O coração, desta minha pessoa, apesar de grande (deve ter aproximadamente 20x25 cm, dada a sua constituição física ser acima da média) não consegue comportar falsos sentimentos, fica-se pelos verdadeiros, que já o deixam meio arrebatado. Assim, os comportamentos "politicamente correctos" não se aplicam a esta pessoa, e ela, em certas ocasiões, acaba por personificar a incorrecção. Especialmente, quando a tentam asfixiar com politiquices. Este facto, fá-la passar a ser persona non grata em determinados ambientes, mas sinceramente este não é um motivo para que passe a ter noites menos bem dormidas.
Es…

#13 Músicas Que Entranham

Resquícios da Quimio

Quando fiz quimioterapia, o J. tinha entre um e dois anos. A minha vinda dos tratamentos implicava ter a avó cá por casa a ajudar o pai a tratar de mim e dele, ver-me sempre na cama em sofrimento ou mal-estar, ser a avó a levá-lo ao infantário no dia seguinte e ser ele a ir dar-me um beijinho, tanto de boa-noite como de despedida de manhã.

Ontem, cheguei a casa com um torcicolo tal, que não conseguia fazer nada sem ajuda. E nada, quer mesmo dizer nada, inclusive virar-me na cama.  A minha dor e sofrimento, assustaram o J.! Ver a mãe deitada, a avó por cá a ajudar-me e o pai a tratar dele sozinho, e também de mim, devem tê-lo reportado para aqueles seis meses, que eu pensava que não lhe tinham deixado grande mossa por ser tão pequenino. Mas, na verdade, eles ficaram lá meios adormecidos e arrumadinhos numa qualquer gaveta do seu ainda pequeno cérebro, mas lá. E resolveram reaparecer agora.  O J. deu-me muitos beijinhos, só queria a mamã, perguntou-me várias vezes se ainda me doía, dei…

Orelhudo

Tenho acompanhado a história da LUNA, desde o dia em que o Bagaço Amarelo nos informou que ela tinha desaparecido, até ao dia do seu reaparecimento. Este desaparecimento fez-me viajar no tempo nove anos, quando o Orelhudo desapareceu.
O Orelhudo era um cão, que me apareceu à porta de casa, quando eu vivia no campo. Chegou com uma coleira de arame, cheio de medo de tudo e de todos, até do ar. Quando o vi tentei aproximar-me para lhe dar uma festa, mas ele não me deixou sequer chegar perto. Fugiu de mim. Então, resolvi arranjar um recipiente com água e outro com comida, e afastei-me. Fiquei à "coca" para ver se ele ia comer. Foi, mas apenas depois de me ver bem longe.  Passei a dar-lhe de comer todos os dias, sem me aproximar muito para não o assustar.
Nessa altura, a égua vivia comigo, numa boxe ao lado da casa, o que quer dizer que era eu quem tratava dela, e tratar dela significava, também, limpar a boxe.  À medida que o tempo foi passando, o Orelhudo começava a arriscar a…

Um Marado, Convicto Que Podia Mudar o Mundo, Chamado Jesus

Como sabem não sou crente. Não acredito em deuses, nem em diabos, não me identifico com qualquer religião, por mais bonita que ela se enfeite, mas, apesar de poder parecer-vos estranho, acredito que, um dia, existiu este marado, convicto que poderia mudar o mundo, chamado Jesus. E acredito nisso, não por ter tido uma educação religiosa ou por me terem impingido versões demasiado fantasiadas da coisa, mas porque tenho noção que este mundo nunca esteve perto da perfeição, ou de ser um lugar idílico, e porque, felizmente, sempre foram aparecendo, ao longo da História, alguns loucos que achavam que poderiam mudar alguma coisa, por mais pequena que ela fosse, e porque talvez eu também tenha, ainda, uma réstia de esperança que há coisas que se podem mudar, se acreditarmos nelas com muita força. E acredito na história de Jesus, tal como acredito na história de Galileu, Darwin, ou de qualquer outro louco que enfrentou o mundo de frente e de peito aberto.  Mas a minha visão da história dele a…