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Os Porcos

Prezados leitores, começo por vos pedir desculpas, por este ser um post repleto de desprezo explícito, onde poderão encontrar palavras menos agradáveis e, até, portadoras de um certo azedume. O desprezo não será por vocês, claro, mas por uma espécie que me causa uma certa espécie.
Devo informá-los que o post é propositadamente ofensivo, pois contém em si o nojo, de dimensões planetárias, que nutro por certos animais.

Feitos os necessários esclarecimentos, aqui vai:

O porco é um animal que me agrada pouco. Hoje em dia, já quase não faz parte da minha alimentação. Como-o, sem grande satisfação, se não tiver mais nada para comer e alguma fome. 
Este animal roliço de quatro patas, nariz a imitar uma tomada eléctrica e cauda em forma de saca-rolhas  até é razoavelmente suportado por mim, especialmente, porque não me cruzo com ele todos os dias, e se me cruzasse, o máximo que o poderia ouvir dizer seriam uns " oic, oic" ou "ronc, ronc".

Pelo contrário, existe um outro tipo de porco que não consigo suportar, nem à lei da bala.
Esta tipologia suína é aquela, cujos espécimes arrotam palavras ofensivas a tudo o que é fêmea.
Munido de uma clara insatisfação sexual, de uma libido fracassada e de um, óbvio, atraso mental, este animal só consegue vislumbrar as mamas e os cus das fêmeas, avaliando-as, às fêmeas, pelo tamanho, forma ou exposição destas partes dos seus corpos. Para lá de mamas e cus, este porco não vê mais nada. (Podendo aqui concluir-se que também sofre de uma elevada deficiência visual).
Por mais que se camufle, enfiando-se em fatinhos Haute Couture e tomando banho em perfumes, cuja alquimia é bem mais cara do que a essência do próprio suíno, este animal quando se agrupa em varas consegue produzir mais porcaria do que o outro animal, o do nariz a imitar tomadas.
Em varas, costumam grunhir mais e mais alto, do que sozinhos, e sempre qualquer coisa do tipo "aquela gaja tem um par da mamas!", "aquele cu é uma bomba!", "se eu tivesse aquela gaja, comia-a assim ou assado!".
Claro que isto não passam de grunhidos e grunhidos de porcos reles não chegam aos céus.
Geralmente, estes porcos se não são impotentes, estão lá muito perto. E se, por um qualquer estranho acaso, têm a oportunidade de se aproximarem das ditas mamas ou cus, ficam tão acagaçados que todos eles tremem que nem varas verdes.
Apesar de não terem capacidade de materializarem o que grunhem, estes suínos insistem nestes grunhidos. E, a cada fêmea avistada, dedicam um som cada vez mais nojento.
A importância destas vocalizações de pocilga, está na tentativa de afirmação perante os restantes elementos da vara. Cada um deles, tenta, a todo o custo, evidenciar-se mais porco do que os outros.
Na verdade, há sempre algum que o consegue e que passa a ficar conhecido como o porco-mor. O porco-mor tem como função escolher as fêmeas a serem avaliadas. Mas, talvez por esse mesmo motivo, juntamente com o facto de ser o mais nojento de todos, este porco não tem sorte nenhuma com as fêmeas e, além de ser o mais nojento, é também o mais frustrado.

Agora, acabe-me a mim colocar uma questão que me parece pertinente neste contexto:
Porque se dedicam estes porcos a produzir tanto esterco, se nem sequer se propõem a aproveitá-lo na produção de biogás?
Hummm?

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