Avançar para o conteúdo principal

Gay Pride???

Começo já por avisar, antes que me comecem a atirar pedras, que tenho tanto de homofóbica, quanto de racista, ou seja, nada!

Tenho amigos de todas as cores e feitios: Uns são brancos, outros são pretos, outros são amarelos às risquinhas; Uns são homossexuais, outros são bissexuais, outros são heterossexuais; Tal como uns preferem peixe, outros adoram carne e ainda outros são vegetarianos; Ou uns têm filhos por opção e outros não têm, também por opção; Ou uns gostam de sair à noite e outros preferem ficar em casa aos serões; Ou uns apreciam passar férias na praia, outros no campo e outros na cidade; Ou  ainda, uns são de esquerda, outros de centro e outros de direita. 
Na verdade, não sou daquelas pessoas que têm muiiiiitos amigos. Tenho alguns, poucos, mas variados.
Em nenhuma ocasião, "escolhi" amigos baseada nas suas opções de vida ou preferências. Tal como o amor, a amizade ou acontece, ou não acontece. 
Para mim, os meus amigos serem gays, lésbicas, ou bissexuais, tanto se me dá, como se me deu! Não tenho qualquer intenção em dormir com eles (são só meus amigos, lembram-se?), por isso não me preocupo com quem, ou como, eles preferem dormir. Isso, é lá com eles!

Agora, se houvesse alguém em quem estivesse amorosamente interessada, essa já seria uma questão a ter em conta: Se a pessoa fosse do sexo masculino e gay, as minhas hipóteses seriam quase nulas, o que me entristeceria bastante. Se fosse bissexual, significaria que a concorrência seria largamente ampliada, o que talvez me dificultasse um pouco a conquista, ou me tornasse numa ciumenta paranóica, ou talvez não acontecesse nada disso e corresse tudo bem.
O que pretendo dizer com esta conversa toda, é que as preferências sexuais dos outros apenas me interessam, se eu estiver sexualmente interessada neles. Nos restantes casos, só me preocupam, se isso os incomodar a eles e precisarem de mim para desabafar ou para os ajudar de qualquer forma.

Por todas estas razões, e mais algumas, a existência de uma Comunidade LGBT incomoda-me. E incomoda-me, porque me soa a auto-discriminação. Vejo-a como se as pessoas com orientações sexuais diferentes da maioria, se enclausurassem num núcleo fechado à restante comunidade e lá de dentro gritassem por liberdade, estando a chave da cela dentro dos seus próprios bolsos. 
A organização de um Festival de Cinema LGBT é um exemplo disso. Para que é que serve este festival? A orientação sexual dita os filmes que uma pessoa vê? As pessoas que gostam de alguém do mesmo sexo ou de ambos os sexos só vêem filmes sobre este tema? Não têm outros interesses? Não são pessoas tão completas, e complexas, quanto as que gostam de alguém do sexo oposto? 

Não me lixem! Não acredito que vivam obcecadas com esta temática. 

A vida é mais do que com quem se dorme! 
Claro que devem lutar por direitos iguais, claro que têm direitos iguais e devem reivindicá-los. Mas não é do lado de fora da barricada, abanando o braço, e dizendo "hei, estou aqui, pertenço aqui, mas devia estar aí!" que se consegue essa reivindicação. 
É dentro da barricada, juntamente com todos os outros guerrilheiros, mostrando que se é igual, apesar das diferenças, e provando que a sexualidade não é louvor nem desprimor na forma como se guerreia. 
O direito à diferença não se conquista, demarcando-a. Conquista-se, impondo-a num meio onde só há iguais. Mostrando que essa diferença, não pode ser motivo de discriminação; que cada um tem o direito de amar quem quiser; que, como tudo, a sexualidade é livre, desde que não atente contra a liberdade dos outros; que é a sexualidade que faz parte da pessoa e, não o contrário, a pessoa fazer parte da sexualidade, e que é a pessoa inteira que tem que se respeitar com toda a complexidade que a diferencia de todas as outras.

Mensagens populares deste blogue

A sesta

Às vezes ainda sinto o cheiro do colchão forrado a plástico impermeável azul do infantário. Volto à sala dos quatro anos, onde, na semi-obscuridade, tento dormir.
Vejo as persianas descidas quase até acima e conto os quadradinhos de luz que saem das duas últimas filas dos estores que ficaram por fechar. Fixo os olhos na luz e na vontade de sair para rua num dia bonito de Verão. Estou aprisionada naquela sala transformada em dormitório infantil e sinto, hoje, a mesma impaciência que sentia pelo fim da hora da sesta.

A Preciosa e a Isabel cochicham junto à porta, enquanto controlam quem ainda não dorme. Estão sentadas nas cadeiras minúsculas e rodeadas por um clarão de luz. Invejo-as por ninguém as obrigar a dormir, por estarem ali na conversa, ao contrário de mim que estou aprisionada no colchão com a cara colada ao plástico azul. Tento descolar-me do colchão, mas o movimento da minha cabeça denunciar-me-ia às educadoras.
Olho para o meu colega do lado, também de quatro anos, que dorme…

"Bom dia e as melhoras!"

IPO - 9h da manhã

Indicam-me a sala de espera da radiologia. Há uma televisão que vai distraindo as pessoas sentadas, alinhadas, de frente para ela.
Sento-me no sofá por baixo da televisão e de frente para os espectadores pouco atentos às notícias da manhã.
O ar que se respira nas salas de espera do IPO é sempre um pouco solene. Vive-se a incerteza e espera-se o desconhecido. O silêncio e as palavras ditas em murmúrios impregnam o ambiente de uma musicalidade suave. Como se fosse o som de fundo de uma floresta imergida na fatalidade perene.

Chamam-me para o exame. Sigo a "operacional" - como chamam hoje às funcionárias dos hospitais - até ao gabinete onde me devo despir da cintura para cima e vestir a bata branca com centenas de IPOs estampados.
Faço o que me mandam e tiro o piercing do umbigo. Tiro o piercing do umbigo sempre que sou irradiada. Tenho a sensação que o metal do brinco pode projectar as radiações para lugares inusitados se não o fizer. Talvez seja uma crença o…

O Desprezo É A Melhor Arma

Não sou pessoa de dar desprezo a ninguém. Gosto de discutir, trocar ideias e pontos de vista e, por fim, de chegar a um consenso. Resolver a questão, arrumá-la ou atirá-la para trás das costas, porque a conversa nos iluminou os pensamentos difusos. Mas há pessoas, com as quais isso não é possível. Facto este, que me chateia particularmente... Gostava de conseguir esclarecer assuntos que acabam por ficar no ar e que geram mal-entendidos. Mas nem sempre consigo. Muitas vezes, não consigo. Ou porque a outra parte não está para aí virada, ou, pura e simplesmente, porque a única coisa que está disposta a ouvir é a sua própria voz. Tenho que admitir que, nestes casos, a melhor arma é o desprezo. Se o principal objectivo do nosso interlocutor é magoar-nos, enxovalhar-nos ou obrigar-nos a admitir que a razão nunca o abandona, não há matéria para discussão, nem vontade... Resta, apenas, o desperdício do nosso latim, atirado, com força, contra uma parede maciça, que acaba por o fazer evaporar …

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!