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Da Amostra ao Universo, Passando Por... Uma Passadeira

Imagem retirada da Internet!

Como sabem, tenho-me dedicado à observação da espécie. 

Tal Charles Darwin, em pleno século XIX, tenho observado a espécie de forma atenta e analítica. O problema é que, pertencendo eu à espécie observada, não sou totalmente isenta nas minhas análises. No entanto, aventuro-me, na mesma, a este exercício. 
Já vos disse que sou uma aventureira? Não disse? Pois... Na verdade, não sou nada aventureira! 
Seria incapaz de subir o Evereste. Tenho cagufa, muita cagufa! 
Mas na minha cabeça, já subi muito mais alto do que o Evereste, já subi até vários Everestes, e tenho pretensões de continuar a subir muitos mais.

É por ter esta capacidade de subir Everestes, dentro do meu cérebro (tal João Garcia a escalar massa cinzenta pegajosa) que me aventuro na observação da minha própria espécie. Por isso, e  por ser esta, por mais incrível que pareça, a espécie que me é mais estranha. 
Com este estudo, pretendo ir, aos poucos, desvendando alguns dos enigmas que me têm intrigado, ao longo de vários anos inserida neste habitat (meio) hostil.
Porque, infelizmente, não sou aventureira, só me aventuro a viajar dentro desta cabecinha loira: É mais seguro, confortável e tem a vantagem de se poder voltar atrás, ou desistir, em qualquer momento da expedição.

Ultimamente, concentrei-me na observação de vários espécimes de peões a atravessar passadeiras.

Pareço-vos louca? Fixe, já que não sou aventureira, pelo menos que seja um pouco louca para animar esta vidinha da treta que, quase, todos vamos tendo um pouco.

Depois da extenuante e atenta observação destes seres, consegui recolher cinco amostras que me parecem bastante reveladoras de algumas das características mais vincadas da espécie em estudo.

Eis as amostras:

- O peão distraído - este peão não pára quando avista a primeira lista branca da passadeira. Na realidade, ele não vê, sequer, a passadeira. Continua a andar como se o passeio não tivesse acabado. Enquanto anda, fala ao telemóvel ou conversa com o colega do lado, sem reparar nas várias travagens ruidosas que vão acontecendo à sua volta.

- O peão importante - este peão, geralmente, pára antes de abordar a passadeira. Pára, empina o nariz e atravessa-a lentamente com ar superior. Olha alguns condutores fixamente nos olhos, como quem diz "olha bem para a minha cara, quando eu te aparecer à frente, vais ter que ficar aí, quietiiiinho".

- O peão "espera aí, que eu estou a atravessar a rua" - este espécime é o mais engraçado! Pára, mas logo a seguir, avança com passo decidido para a passadeira. Não olha para os carros, que esperam pacientemente que ele volte a colocar o pezinho no passeio. Anda o mais devagar que consegue. É capaz de parar a meio, se estiver para aí virado, só para sentir o prazer de fazer alguém esperar por ele. Também o podemos chamar de " peão sádico", se nos apetecer. O nome assenta-lhe bem, e ele aprecia-o bastante.

- O peão cuidadoso - este peão, ainda muito longe do fim do passeio, olha para um lado e para o outro, cheio de medo. Mal se aproxima da passadeira, cai numa hesitação irritante. Põe o pé, tira o pé. Põe o pé, tira o pé. Quando finalmente se decide a atravessar a estrada, é porque já é noite escura, a estrada está deserta e não se vê vivalma. Faz todo o percurso a hesitar e a olhar para todos os lados, com medo que lhe saia um carro até de dentro de um caixote do lixo.

- Por fim, temos "o peão que não é peão" - como o nome indica, este peão não é peão. Ele não quer atravessar a estrada. Ele não está ali, bem à bordinha da estrada e em frente à passadeira, a fazer nada. Gosta de ver os carros passarem e abrandarem quando o avistam. Por vezes, pisa a passadeira, só para os confundir. Pode passar horas ali, na esperança que algum se estampe por sua causa. É propenso a meter conversa com quem por ali passa, preferindo sempre quem segue com a intenção de atravessar a estrada na SUA passadeira.

Conclusão do estudo: Amigos, a única conclusão que posso tirar deste estudo, é que qualquer um destes peões me irrita solenemente e, não fossem as consequências que poderiam advir de um acto tão odioso quanto o que vou referir a seguir, os atropelaria a todos. Um por um!

Estavam à espera de uma conclusão inteligente, não era? Não se esqueçam que aqui, a Mammy, é loira e o brilho incandescente de tal melena não deixa passar as ondas ultra-sónicas do conhecimento. Para fora, claro, que cá dentro sobem-se Everestes.


PS: Pronto, lancem-me lá olhares fulminantes por vos ter feito ler, até ao fim, este texto de piiiiiiiiiiiiii! Eu mereço, eu sei que mereço!

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