Avançar para o conteúdo principal

A Minha Teoria Sobre As Pedradas e As Bastonadas

Só alguns dias passados sobre os acontecimentos, consigo reflectir com a necessária clareza de espírito para articular uma teoria sobre tudo o que se passou em frente à Assembleia da República, naquele dia fatídico das pedradas e das bastonadas.
Depois de muito ler, ver, ouvir, conversar e tentar compreender, já sem o calor da emoção, me atrevo a escrever o que penso sobre este assunto.
Lembro-vos que eu sou pela Teoria da Conspiração, e alerto-vos para este facto, porque no final pode parecer-vos que sou uma louca paranóica, por isso não se assustem, ok?

Assim, aqui vai:

Segundo me parece, as pedras foram atiradas aos polícias maioritariamente por putos que passaram o dia a beber uns copos, que gostam de arranjar merda em todo o lado, que adoram parecer bad boys em fúria, e por pessoal (putos, ou não) que estava lá apenas para "avacalhar" qualquer digna tentativa de contestação.

O reais manifestantes, quando se deparam com tamanha selvajaria têm atitudes variadas: uns afastam-se para marcar a diferença dos desordeiros; outros aproveitam para também atirarem uma pedrinha ou outra e, há também quem, heroicamente, tente fazer parar o arremesso de pedras, pondo-se entre os snipers das pedras e o corpo policial.

A polícia aguenta o embate sucessivo de calhaus durante demasiado tempo. E aqui, começa a minha teoria, no demasiado tempo do arremesso de pedras que a polícia suportou:

Dada a dimensão da greve geral, a voz que dá ordem à polícia para avançar, terá que ser a do Ministro da Administração Interna, portanto uma voz "superior". Esta voz, só se pronunciou após os manifestantes terem descascado a calçada quase toda. E porquê?

Eis a minha explicação: Porque queria os agentes policiais nervosos e raivosos e porque pretendia justificar uma acção policial excessiva através da clara violência dos manifestantes! (Todas as estações de televisão tiveram oportunidade de registar o arremesso de pedras, todas as famílias portuguesas puderam, através das imagens nos telejornais e das fotos nos jornais, ver a quantidade de pedras arremessadas.) Objectivo primeiro: check!

E agora perguntem-me, porque queria o MAI justificar tal carga policial?
E eu respondo: Porque queria assustar os reais manifestantes, as pessoas que estavam ali por uma causa real e legítima, de maneira tal, que tivessem medo de ingressar em próximas manifestações! Objectivo segundo: check!
Se não fosse esta a intenção do MAI, teria permitido que os polícias à paisana tivessem circundado os manifestantes agressivos e prendido quem merecia ser preso. Mas não o fez, e preferiu mandar prender gente ao calhas e os putos que estavam no Cais do Sodré, a uma distância considerável dos distúrbios. 
Isto para quê? Para assustar os pais dos ditos putos, que na próxima manifestação os vão segurar em casa com medo que sejam presos outra vez.
E perguntam-me vocês, e muito bem por sinal, "mas para quê tanta violência? Porque é que os polícias bateram em toda a gente, manifestantes ou não?".
Porque, primeiro, estavam no ponto rebuçado da agressividade, estiveram uma hora e tal a levar com calhaus; segundo, porque os mandaram limpar a área, portanto tirar dali tudo o que mexesse; terceiro, porque o objectivo também era eles darem umas bastonadazinhas a inocentes para que estes inocentes se virassem contra a polícia. Objectivo terceiro: check!

E agora a pergunta final: Porque quereria o MAI que os inocentes se virassem contra a polícia?
Porque a polícia andava a manifestar-se muito; porque o grande perigo para o governo é as forças policiais e as forças armadas virarem-se contra ele; porque é alimentando a desordem e a desunião de um povo que se o incapacita. Objectivo quarto: check!


Observaçãozinha à parte, que até podia ser a leitura dos pensamentos da voz "superior": 
Entretenham-se filhos, a dizerem mal uns dos outros, a arranjarem quezílias aí em baixo, enquanto nós vos usurpamos os direitos, roubamos o dinheiro e vos atiramos com mais austeridade para que, por aqui, possamos continuar a beber o nosso uísquezinho bem velhinho e a andar em carros topo de gama, pagos com os vossos impostos, que nos conduzirão a cargos muito bem pagos, mal saiamos do governo!

Mensagens populares deste blogue

Marcadores: Capítulo 5

Ana entrou no quarto, sentou-se na beira da cama, acariciou o rosto da mãe e perguntou: - Como te sentes hoje? - Mais ou menos. Agora, não tenho dores. - Ao menos isso... Queres que te traga alguma coisa? - Não, obrigada. Fica só aqui comigo a conversar. - Fico pois! – disse enquanto massajava a mão da mãe para a aquecer. Ana visitava Cármen diariamente. Aparecia geralmente ao fim do dia, porque trabalhava até tarde. Detestava só sair do trabalho depois do sol-posto, especialmente agora que a mãe precisava tanto dela. - Dormiste bem? – perguntou sem lhe lagar a mão gelada. - Sim, tenho a sensação – parou para respirar - que consegui dormir algumas horas seguidas – continuou a custo. Acariciou a mão da filha como se ainda fosse uma mão pequenina que poderia guardar dentro da sua. Observou-lhe o rosto com ternura e articulou as palavras devagarinho: - Filha, nunca mais me falaste do teu trabalho. Como está a correr? Ana resumiu as últimas semanas de trabalho. Falou dos colegas, que ainda não es…

Por entre livros e árvores

Estou sentada no sofá do supermercado junto aos livros.

Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

Hoje, levo comigo para o sofá o Lobo Antunes e o Rodrigo Guedes de Carvalho. Vou lendo pedaços de um e de outro. Salto capítulos, reviro os livros e escolho páginas aleatórias na tentativa de entrar nas histórias e nas palavras. Mergulho em parágrafos que me marcam, afundo-me em frases que me fazem eco. Volto à superfície.

Por momentos, desvio o olhar dos livros para perceber o que se passa à minha volta. Entram e saem pessoas do supermercado. Há um homem que passa de guarda-chuva em punho como se fosse uma…

Marcadores: Capítulo 4

Levantou a cabeça. Olhou-me como se fosse pela primeira vez. Senti os olhos a percorrerem-me o rosto. Contornou-me os olhos, a boca, o nariz e parou o olhar para além de mim. É estranha a sensação de nos desenharem com os olhos, vermos-nos estampados na mente dos outros, recortados, colados e redesenhados. Deixamos de ser nós para passarmos a ser uma ideia de nós. Ana desenhou-me, mas abandonou a obra a meio para se colocar a uma distância de segurança. Foi para além de mim e por lá ficou.  - Desculpe tê-lo incomodado. Não devia ter vindo contagiá-lo com a minha tristeza. Estava aqui sossegado a beber a sua cerveja, melhor do que uísque, e vim trazer-lhe tristezas. A minha vida não tem estado fácil… Desculpe-me. É melhor ir-me embora. - Não, deixe-se estar. Estou a gostar de estar consigo. Além disso, não está em condições de ir sozinha para casa. Pelo menos, por agora. – disse-lhe, enquanto observava os dedos que tentavam desfolhar o marcador em forma de flor mais ou menos a meio do li…

Marcadores: Capítulo 1

Sentei-me na mesma mesa do canto. Pedi uma cerveja, acendi um cigarro e fiquei a olhar o mar. A esplanada estava quase vazia. Às três da tarde é normal não haver muita gente por aqui. Está muito calor. É a hora de que mais gosto, porque o vazio do espaço e a paisagem cheia ajudam-me a rascunhar palavras no meu caderninho. Escrevo frases soltas, sem grande nexo, que depois uso nos meus livros. O mar, lá em baixo, no fim da falésia a bater nas rochas e a brisa ligeira, cá em cima, a refrescar-me a mente, libertam as palavras que tenho presas em mim. Preciso de as soltar para voltar ao ténue equilíbrio que me mantém vivo. Trouxeram-me amendoins salgados. Sabem que são os meus aperitivos preferidos para acompanhar a cerveja. Bebo-a com mais gosto e com mais sede. Bebo golos pequenos, o gás faz-me arrotar se a tentar beber de um trago. Por isso, depenico a cerveja, e os amendoins, da mesma forma que sempre depeniquei a vida. Ela surgiu no cimo das escadas que nos leva até à esplanada. Sent…