Avançar para o conteúdo principal

Papagaios

Imagem retirada da Internet

Já vos disse que não lido muito bem com CARNEIROS, mas ainda não vos falei de quanto me irritam os papagaios...

Papaguear qualquer coisa sem lhe dar um cunho pessoal é monótono, triste, chaaaaato! No entanto, esta técnica, de papaguear, é muito utilizada por comerciais e, especialmente, por comerciais do telemarketing. Vá-se lá saber porquê...
Quando este pessoal me telefona, geralmente, "mando-os dar uma curva" respondendo-lhes uns "porque não quero" aqui e uns "hum hum" ali. Às vezes, digo-lhes que não sou eu e que só chegarei a casa muito tarde para que não me voltem a ligar.
Desenvolvi-lhes uma alergia terrível!

Acreditem ou não, hoje ligaram-me do Círculo de Leitores e, não era um papagaio! Era uma pessoa real! Dá para acreditar?
Essa pessoa foi capaz de adaptar a publicidade, que era obrigada a fazer, ao seu próprio discurso: gaguejou algumas vezes; hesitou; foi simpática; teve-me em consideração; não me quis impingir nada, nem manipular. Estranho, não?
Podia ver-se que não tinha jeito nenhum para aquilo: não agia by the book, não falava como uma máquina para outra máquina, era humana...
Sentia-a viva do outro lado da linha! E conquistou-me! Conseguiu ganhar a minha atenção (normalmente, não oiço nada do que me dizem essas pessoas por telefone, não é culpa minha nem delas, é da alergia que bloqueia os meus ouvidos automaticamente) e comover-me.

Acreditam que me vieram as lágrimas aos olhos?

Ela falava, e a mim só me apetecia chorar. Não era chorar de desespero de já não conseguir sentir mais (porque, lembram-se, eu deixo de as ouvir) aquele som monocórdico, era chorar de sentir que havia alguém extra-profissão, com sentimentos, com imperfeições e de carne e osso, no outro lado da linha.

Fiquei susceptível e desarmada, como é tão raro acontecer-me quando me telefonam a vender-me produtos que eu não preciso e, mesmo que precisasse, passava a não precisar, só por me abordarem daquela forma.

Ouvi tudo o que me tinha a dizer, enquanto tentava segurar as lágrimas. Permiti que me voltasse a telefonar para saber se eu não estaria mesmo interessa no catálogo do Círculo de Leitores...

Sei que não estou. Mas também sei que aquela pessoa chegou a mim por ser tão imperfeitamente real.

E fiquei, sinceramente, contente com isso!

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…