Avançar para o conteúdo principal

TPCs e AECs, ou seja, Trabalhos Para Casa e Actividades Extra-Curriculares

Assumo-me, aqui perante todos vós, uma convicta opositora aos TPCs, durante a semana e quando os miúdos frequentam as AECs!

Crianças com uma jornada laboral maior do que certos adultos, que apenas têm 4 horas em casa com os pais, e que nessas 4 horas ainda tenham que tomar banho, vestir-se, brincar um bocadinho à pressa e jantar, não deviam nunca, jamais, e em tempo algum, ter trabalhos de casa para fazer! Tenho dito!

As AECs foram inventadas para quê? Não foi para ocupar as crianças o resto do dia, enquanto os pais não chegam do trabalho para as irem buscar à escola? Não foi para alguns pais poderem prescindir dos ATLs (Actividades de Tempos Livres) e não terem que pagar uma mensalidade a estas instituições para irem levar e buscar os seus filhos à escola?

Pois se é para isso que elas existem, e até há uma delas que se chama Apoio ao Estudo, porque é que os miúdos não fazem os TPCs durante o período em que estão nestas actividades, ou, mais propriamente, nesta que tem um nome tão sugestivo?

E ainda querem que sejamos nós, pais, a educar os nossos filhos?!

Como podemos fazê-lo em 4 horas diárias, nas quais temos que os pôr a tomar banho, jantar e ainda ajudar a fazer TPCs? 
Digam-me, por favor, que eu estou "à nora"!

Concordo com TPCs, mas para os fins-de-semana, concordo que devem ser os pais a educar os filhos (detestaria ter que delegar essa tarefa a outras pessoas), mas em 4 horas diárias, cheias de outras coisas para fazer, como é possível desempenharmos o nosso papel de pais de uma maneira minimamente aceitável?

Alguém me sabe dizer?

Mensagens populares deste blogue

O Espelho

Em pequena fui protectora das minorias, dos mal-tratados e dos ofendidos. Costumava juntar-me à mais gorda ou mais feia da turma, aquela menina com quem toda a gente gozava e com quem ninguém gostava de ser visto. Tratava melhor os que eram desprezados e tinha uma atenção especial para com quem levava mais reguadas. Ainda sou um bocado assim, porém não tanto, porque as pessoas  que eu considerava minorias me foram mostrando tantos lados das suas personalidades que deixei de as ver apenas como mal-tratadas, ofendidas e carentes de protecção. Percebi, ao longo dos anos, que somos muito mais do que aquilo que aparentamos. E ainda bem, digo-o hoje.
Olhando para trás, penso que talvez o fizesse por pena de as pessoas não terem as mesmas atenções que os outros, ditos populares, e como que para compensar os males que lhes faziam. 
Olhando depois para dentro de mim, penso que também agia daquela forma para desviar os olhares das minhas próprias fragilidades. Se eu protegesse outros, sentir-me…

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


Tenho uma tatuagem no meio do peito

Ontem, no elevador, olhei ao espelho o meu peito que espreitava pelo decote em bico da camisola, e vi-a. "Tenho uma tatuagem no meio do peito", pensei. Geralmente, não a vejo. Faz parte de mim, há dez anos, aquele pontinho meio azulado. Já quase invisível aos meus olhos, pelo contrário, ontem, olhei-a com atenção, porque o tempo já me separa do dia em que ma fizeram e me deixa olhá-la sem ressentimentos. À tatuagem como à cicatriz que trago no pescoço.

A cicatriz foi para tirar o gânglio que confirmou o linfoma. Lembro-me do médico me dizer "vamos fazer uma cicatriz bonitinha. Ainda é nova e vamos conseguir escondê-la na dobra do pescoço. Vai ver que quase não se vai notar". Naquela altura pouco me importava se se ia notar. Entreguei o meu corpo aos médicos como o entrego ao meu homem quando fazemos amor.
"Façam o que quiserem desde que me mantenham viva", pensava. "Cortem e cosam à vontade! Que interessa a estética de um corpo se ele está a morrer?!…

Facebook lovers

Chegam ao restaurante de mãos dadas como nos tempos em que ele ainda não tinha a barriguinha que lhe força os botões da camisa e ela as duas camadas de base em tonalidades diferentes que escondem os traços que o tempo lhe foi desenhando no rosto.
Ele afasta a cadeira para ela se sentar num gesto que reproduz o cavalheirismo dos filmes românticos de Hollywood. Ela senta-se com olhar meloso, encarnando a personagem feminina da trama, e ajeita a saia que lhe aperta as formas agora mais arredondadas.

Num silêncio premeditado, o frente-a-frente impõe-se. Afinal é dia dos namorados e o romantismo é a palavra de ordem.
O gesto automático tira o telemóvel do bolso da camisa dele que só acaba quando o objecto é pousado sobre a mesa. Está ansioso, mas não quer lhe notem a inquietação. Afinal, é só mais um dia dos namorados.

A voz sai-lhe tão melosa quanto o olhar que ela lhe dirige:
- Estás linda! - semicerra os olhos como que a comprovar a veracidade das suas palavras.
Aponta-lhe a objectiva …