Avançar para o conteúdo principal

"Post" Interdito a Menores de 18 Anos

Desculpai-me senhores, mas terei que dizer-vos, a vós leitores inveterados, que a leitura não passa de um acto de masturbação. Masturbação da mente, mas ainda assim masturbação. Se pensais que sois pueris, tirai daí o cavalinho da chuva, porque sois é uns depravados despudorados!


Por vezes, sinto a leitura como um orgasmo interminável. Interminável até já não haver mais páginas por ler. 
Quando a mão direita fica vazia de livro, quero mais, torno-me insaciável de letras, de sons a ecoarem nas paredes do meu cérebro. Verto litros de saliva, tal cão de Pavlov ao som da campainha. Estremeço. Preciso de continuar a ler, mas a rejeição à monotonia não me deixa recomeçar o mesmo livro. Sou obrigada a soltá-lo. Solto-o... e escrevo.




Desculpai-me senhores, mas terei que dizer-vos, a vós escritores inveterados, que a escrita não passa de uma pole dance. Pole dance da mente, mas ainda assim pole dance. Se pensais que sois pueris, tirai daí o cavalinho da chuva, porque sois é uns depravados despudorados!


Quem me lê, neste momento, está, na realidade, a ver-me dançar agarrada a um varão. Tento seduzir-vos com contorcionismos eróticos. Exteriorizo o fogo que há em mim para vos queimar de desejo. E quero-os a arfar. 
Podia mentir, na tentativa de vos parecer uma Lolita da escrita, e dizer que escrevo só para mim. Mas vocês iriam, depressa, descobrir-me a careca. 

Quem escreve num blogue, nunca escreve só para si. Quem escreve, nunca escreve só para si. Escreve sempre para os outros, sejam eles quem forem. Escreve em voz alta. Escreve aos gritos. E espera ser lido. 
Se não o é, pára. 

E lê. E não lê em voz alta. Lê em surdina, com medo que alguém lhe roube as palavras. Lê ao som dos pensamentos, afim de se saciar numa torrente de espasmos egoístas.

E se não consegue atingir o clímax, lê de novo ou...

...muda de livro.

Imagem retirada DAQUI

Mensagens populares deste blogue

Facebook lovers

Chegam ao restaurante de mãos dadas como nos tempos em que ele ainda não tinha a barriguinha que lhe força os botões da camisa e ela as duas camadas de base em tonalidades diferentes que escondem os traços que o tempo lhe foi desenhando no rosto.
Ele afasta a cadeira para ela se sentar num gesto que reproduz o cavalheirismo dos filmes românticos de Hollywood. Ela senta-se com olhar meloso, encarnando a personagem feminina da trama, e ajeita a saia que lhe aperta as formas agora mais arredondadas.

Num silêncio premeditado, o frente-a-frente impõe-se. Afinal é dia dos namorados e o romantismo é a palavra de ordem.
O gesto automático tira o telemóvel do bolso da camisa dele que só acaba quando o objecto é pousado sobre a mesa. Está ansioso, mas não quer lhe notem a inquietação. Afinal, é só mais um dia dos namorados.

A voz sai-lhe tão melosa quanto o olhar que ela lhe dirige:
- Estás linda! - semicerra os olhos como que a comprovar a veracidade das suas palavras.
Aponta-lhe a objectiva …

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…

Voo da Paixão

Voámos alto, em noites gélidas que tornámos escaldantes. Voámos tão alto, que pude ver as estrelas e a Lua.
Mas o voo não é interminável e temos que pousar. Pousar para reabastecer, pousar para descansar e para voltar a voar... de novo... uma vez mais...
Quantas vezes o fizemos? Quantas vezes precisaremos de o voltar a fazer?

Se a paixão nos faz voar, o amor faz-nos pousar.