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Em Véspera de Manisfestação

Já disse aqui que não acredito em manifestações. Não por as achar estúpidas ou coisa no género, mas por crer que não são suficientes. Hoje, as manifestações não acordam os governos. A petulância política é tanta que quem está no poder, pura e simplesmente, ignora a voz do povo. E o pior é que também há povo que ignora o povo. 

Mas amanhã, vou à manifestação...
Porquê? Porque sim! Porque estou descontente e preciso de manifestar o meu descontentamento. Enquanto posso...

Acredito sim na greve de zelo, no voto em consciência e na união das pessoas.

A greve de zelo poria o país em câmara lenta, tão lenta que nada funcionaria (como na realidade não funciona, mas presentemente devido aos cortes nos gastos do Estado, nos ordenados dos contribuintes e ao excesso de burocracias). 

Acredito no voto em consciência porque, para se ir votar, não se pode ir a pensar que a cruzinha se põe à frente da fotografia da cara mais laroca, da do candidato que mais canetas e bandeirinhas oferece ou da do que apresenta mais sinais exteriores de riqueza. A cruzinha põe-se em frente da fotografia de quem acreditamos que pode fazer alguma coisa por isto, mesmo que a cara seja feia, mesmo que dono da cara não tenha oferecido bandeirinhas durante a campanha eleitoral, mesmo que ele não tenha qualquer noção de moda e estilo, ou seja daqueles que ainda tem a coragem de andar de transportes públicos (apesar dos atrasos e das greves) e pense deslocar-se assim para o Parlamento. 

O absentismo não é resposta a nada. Talvez o seja o voto em branco, quando não acreditamos em nenhum dos candidatos, mas o absentismo é um voto na maioria, seja ela qual for. É concordar com o que nos impuserem. É dizer "ok, por mim tudo bem, tomem-me e façam-me o que quiserem!". 

E acredito na união das pessoas. Penso que esta será a arma mais poderosa, se bem utilizada. Acho que se não nos juntarmos e lutarmos por todos nós (todos nós, não só por alguns) nunca conseguiremos que isto se endireite. 
Foi a roubar, cada um para seu lado, que este país chegou até aqui; foi a desunião e a luta desenfreada por poder e riqueza, que nos atirou por terra; foi o umbiguismo; foi a mania das grandezas; foi o chico-espertismo; foi tudo isto junto e foi a (ainda) crença de alguns na humanidade que nos levou a este abismo. 
A crença na humanidade desses, poucos, alguns agarrou-nos pelos cabelos, levou-nos à beira do abismo e mostrou-nos a altura a que estávamos. A queda iria ser grande! 
A culpa deles é, tão só, terem-se deixado ludibriar e roubar pelos espertalhões, que de humanos nada tinham (têm), e permitirem que a sua ingenuidade crédula nas pessoas os traísse.

Eu sinto-me traída, apesar de não ter votado em quem está no poder! Sinto-me traída pelo povo que partilha este país comigo, sinto-me traída por mim própria por não me ter esforçado o suficiente para pôr um travão a estes impostores, por não ter sido austera com a austeridade, por ter acreditado que a humanidade, mesmo que desprezasse a Natureza, amaria sempre a humanidade.

E amanhã, vou expressar esta minha raiva de mulher traída!
Olá se vou!















Fotografias encontradas por AQUIAQUI e AQUI.

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