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Revolta

Ando imersa numa enorme revolta. Sempre fui um bocadinho revoltada, mas com a idade e com o "andar da carruagem" estou pior. Tenho plena consciência disso. Custa-me aceitar o que para mim e inaceitável, custa-me demais.

Tudo o que me cheira a sacrifício inútil, põe-me fula! 
Odeio fazer o que não gosto: ir contrariada a alguns sítios; lidar, ou simplesmente estar, com pessoas que não me interessam minimamente; vestir o que não me apetece, só porque é politicamente correcto; falar sobre assuntos chatos; ocupar o cérebro com merdices (ou porque são assuntos que tenho que resolver ou porque fazem parte do trabalho).

Ando revoltada com o meu cabelo, que mo cortaram mais do que eu queria; com a estúpida malinha que comprei que só dá para levar ao ombro e não dá para levar a tiracolo; com os atrasos ou greves dos comboios; com a hora tardia que chego a casa; com a falta de tempo para aquilo que me dá prazer; com o tempo que desperdiço a fazer coisas que odeio, como as compras, que tenho que fazer quase todos os dias; com o meu corpo que teima em acumular gorduras, como se fosse iminente eu passar fome; com os cigarros, que me estão sempre a fazer olhinhos; com esta porcaria de país que vive para uma economia inexistente; com a passividade das pessoas; com a arrogância dos governantes; com a pelintragem e o "chico-espertismo"; com a ignorância por opção; com a maldade; com as doenças que são incuráveis, porque existem empresas farmacêuticas que lucram mais com elas assim; com a ganância; com a minha não-concretização da revolta...

Apetece-me atirar tudo às urtigas e ser feliz de uma vez por todas! E, de preferência, bem longe daqui!

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Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

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