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Revolta Enjaulada

Aviso: Aviso já que este post tem muitos palavrões. Talvez seja melhor os mais sensíveis ficarem por aqui, e não lerem o resto!

A minha égua está a morrer! É velha, eu sei, mas a culpa de ela estar como está é minha! 

Sou uma covarde! Sou uma tremenda de uma covarde e, como tal, decidi enjaular-me para não ter que enfrentar a vida!
Tenho andado todos estes anos (muitos anos) a saltitar de jaula em jaula, de trabalho em trabalho, para fugir ao meu verdadeiro amor: os cavalos! 
Trabalhei muito tempo com cavalos, a minha mais pura e verdadeira paixão em termos profissionais, mas desisti porque detesto as pessoas que lidam com eles neste país. Detesto o estilo delas, as técnicas empregadas, os objectivos, as filosofias, tudo! Decidi afastar-me, em vez de tentar mudar alguma coisa na equitação. Fechei-me em escritórios, lojas, museus, o caralho...
Porque sou uma covarde de merda, retirei-me da cena para não ter que assistir aos constantes maus-tratos aos animais que abundam por aí! Mas não foi só por isso, foi também porque sou uma comodista e acomodei-me ao trabalhinho das 9 às 5, com fins-de-semana completos, e à abstracção concedida pelos "olhos que não vêem, coração que não sente".
Na realidade, tenho estado enjaulada para me alhear da minha revolta e para não ter que enfrentar todos os cabrões que andam por aí e que se auto-intitulam equitadores e amantes de cavalos. Na jaula, vivo em constante birra de urso (para quem não sabe o que é, pode ver AQUI) e, garanto-vos, é uma merda!

Hoje, fui ver a minha égua. Está magríssima, tem tido ameaças de cólicas consecutivas nestes últimos tempos, deita-se porque não se aguenta nas pernas, é perseguida pelos outros cavalos mais fortes que lhe tentam roubar a comida... Enfim, está a ter um fim doloroso, porque eu tenho fechado os olhos ao sofrimento dela e não tenho mexido uma palha para lho aliviar! Protejo-me da dor que me provoca vê-la sofrer, espaçando as visitas que lhe faço e afastando-me.... E quando, "por obra e graça do espírito santo" decido enfrentar os meus medos e retirar a capa protectora que me envolve, decidindo ir vê-la, deparo-me com a minha filha putice. E a revolta já não é contra os cabrões dos equitadores deste país, é contra mim própria, que, por preferir enjaular-me a agir como a mulher que finjo ser, tenho andado a brincar às pessoas em vez de tentar ser uma...  
E hoje, caí na real! Vislumbrei que a única saída que, talvez, me reste para tentar consertar o monte de trampa que tenho andado a fazer, é mandar abatê-la, tal acto de misericórdia, por aquela que sempre foi a minha melhor amiga...

Foda-se, mas as melhores amigas não se mandam matar!

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