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O Rei Na Barriga

Imagem retirada Daqui

As pessoas que agem como se tivessem o rei na barriga são fascinantes!
Passeiam-no de dorso projectado para a frente, como se dissessem a cada um que encontram à esquina, "cuidado, afasta-te, que eu tenho aqui o rei!". Atiram frases toscas como se estivessem a fazer tiro ao alvo, e o alvo são os outros... "Pum! Já matei mais um!", "Pum, pum! Anda cá que já te apanho, seu alvo mexerico!"
São tão ridículas que chegamos a ficar com pena delas. E pena não é um sentimento louvável...
Donas da verdade e de toda a razão do mundo, vão troçando com quem ousa pisar o seu caminho, porque são elas que transportam o rei nas suas reais barrigas. Barrigas balofas, anafadas, inchadas e, no entanto tão vazias... Vazias de sabedoria genuína, porque a pretensão a engoliu. O rei, que julgam possuir, comeu-lhes a sabedoria que alguma vez tiveram. E agora, é apenas o ar que lhes insufla as barrigas ocas.
Tanto ar, tanto ar, que flutuam nos seus devaneios... Voam alto, mas caem tãaaao baixo...

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"Bom dia e as melhoras!"

IPO - 9h da manhã

Indicam-me a sala de espera da radiologia. Há uma televisão que vai distraindo as pessoas sentadas, alinhadas, de frente para ela.
Sento-me no sofá por baixo da televisão e de frente para os espectadores pouco atentos às notícias da manhã.
O ar que se respira nas salas de espera do IPO é sempre um pouco solene. Vive-se a incerteza e espera-se o desconhecido. O silêncio e as palavras ditas em murmúrios impregnam o ambiente de uma musicalidade suave. Como se fosse o som de fundo de uma floresta imergida na fatalidade perene.

Chamam-me para o exame. Sigo a "operacional" - como chamam hoje às funcionárias dos hospitais - até ao gabinete onde me devo despir da cintura para cima e vestir a bata branca com centenas de IPOs estampados.
Faço o que me mandam e tiro o piercing do umbigo. Tiro o piercing do umbigo sempre que sou irradiada. Tenho a sensação que o metal do brinco pode projectar as radiações para lugares inusitados se não o fizer. Talvez seja uma crença o…

A sesta

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Olho para o meu colega do lado, também de quatro anos, que dorme…

Marcadores #6

- A Gabrielle é inocente, podes acreditar! Quando a conheceres vais ter vontade de a defender, vais ver – Cármen estava exausta, por isso Ana resolveu fazer uma pausa na conversa para a mãe descansar. Levantou-se e dirigiu-se à cozinha para ir buscar um copo de água. Quando voltou, abriu a gaveta da mesinha-de-cabeceira e tirou várias qualidades de comprimidos. Olhou para o papelinho que os acompanhava que descrevia as quantidades e horários e começou a separar os que pertenciam àquela hora. Juntou seis que Cármen teria de deglutir uns atrás dos outros. Passou-os um a um, para a mão da mãe, que os tentou empurrar garganta abaixo com a ajuda de doridos golos de água.             Cármen quebrou o silêncio para dizer que guardava cartas trocadas com Gabrielle no tempo em que a amiga trabalhou na Alemanha e que gostava que a filha as lesse. Era uma forma de conhecer Gabrielle, explicou. Apontou para uma caixinha de madeira que se encontrava sobre a cómoda debaixo da janela que continh…