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Namoros e blogues

Em conversa pré-sono...
-Mãe, como convenceste o pai a namorar contigo?
-Convencer o pai?! Eu não convenci o pai, ele começou a namorar comigo porque quis!
-Mas como começou? 
-Encontrávamo-nos várias vezes, conversávamos e depois começámos a namorar.
-Sim, mas como foi? Deram beijinhos?
-Sim, demos.
-Onde? Na boca? O primeiro beijo que deram foi na boca? 
-Não, o primeiro não foi na boca.
-Mas depois deram na boca? (cara de malandro).
-Demos!
-Onde deram o primeiro beijinho na boca?
-Onde como? Em que sítio estávamos?
-Sim.
-Eh pá! Com essa é que me lixaste! Não me lembro. Acho que foi na minha casa...
-Não te lembras?! Já foi há muito tempo, não foi? Há quanto tempo namoram?
-Há 17 anos.
-Pois, há 17 anos que aturas o pai, não é?
-Sim e ele atura-me a mim? Hummm, como sabes isso?
-Estive a ler o My Baby no blogue!
-Estiveste????? (cara de pânico)
-Estive, mas depois tu chegaste e disseste "J., o que é que estás a ver?" e não me deixaste ler o resto.

Está-me cá a parecer que vou ter que bloquear o blogue a menores de 18 anos!

Mensagens populares deste blogue

"Bom dia e as melhoras!"

IPO - 9h da manhã

Indicam-me a sala de espera da radiologia. Há uma televisão que vai distraindo as pessoas sentadas, alinhadas, de frente para ela.
Sento-me no sofá por baixo da televisão e de frente para os espectadores pouco atentos às notícias da manhã.
O ar que se respira nas salas de espera do IPO é sempre um pouco solene. Vive-se a incerteza e espera-se o desconhecido. O silêncio e as palavras ditas em murmúrios impregnam o ambiente de uma musicalidade suave. Como se fosse o som de fundo de uma floresta imergida na fatalidade perene.

Chamam-me para o exame. Sigo a "operacional" - como chamam hoje às funcionárias dos hospitais - até ao gabinete onde me devo despir da cintura para cima e vestir a bata branca com centenas de IPOs estampados.
Faço o que me mandam e tiro o piercing do umbigo. Tiro o piercing do umbigo sempre que sou irradiada. Tenho a sensação que o metal do brinco pode projectar as radiações para lugares inusitados se não o fizer. Talvez seja uma crença o…

A sesta

Às vezes ainda sinto o cheiro do colchão forrado a plástico impermeável azul do infantário. Volto à sala dos quatro anos, onde, na semi-obscuridade, tento dormir.
Vejo as persianas descidas quase até acima e conto os quadradinhos de luz que saem das duas últimas filas dos estores que ficaram por fechar. Fixo os olhos na luz e na vontade de sair para rua num dia bonito de Verão. Estou aprisionada naquela sala transformada em dormitório infantil e sinto, hoje, a mesma impaciência que sentia pelo fim da hora da sesta.

A Preciosa e a Isabel cochicham junto à porta, enquanto controlam quem ainda não dorme. Estão sentadas nas cadeiras minúsculas e rodeadas por um clarão de luz. Invejo-as por ninguém as obrigar a dormir, por estarem ali na conversa, ao contrário de mim que estou aprisionada no colchão com a cara colada ao plástico azul. Tento descolar-me do colchão, mas o movimento da minha cabeça denunciar-me-ia às educadoras.
Olho para o meu colega do lado, também de quatro anos, que dorme…

Marcadores #6

- A Gabrielle é inocente, podes acreditar! Quando a conheceres vais ter vontade de a defender, vais ver – Cármen estava exausta, por isso Ana resolveu fazer uma pausa na conversa para a mãe descansar. Levantou-se e dirigiu-se à cozinha para ir buscar um copo de água. Quando voltou, abriu a gaveta da mesinha-de-cabeceira e tirou várias qualidades de comprimidos. Olhou para o papelinho que os acompanhava que descrevia as quantidades e horários e começou a separar os que pertenciam àquela hora. Juntou seis que Cármen teria de deglutir uns atrás dos outros. Passou-os um a um, para a mão da mãe, que os tentou empurrar garganta abaixo com a ajuda de doridos golos de água.             Cármen quebrou o silêncio para dizer que guardava cartas trocadas com Gabrielle no tempo em que a amiga trabalhou na Alemanha e que gostava que a filha as lesse. Era uma forma de conhecer Gabrielle, explicou. Apontou para uma caixinha de madeira que se encontrava sobre a cómoda debaixo da janela que continh…