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A Tua Ausência

A tua ausência está sempre presente. Foste há uma semana que sinto como um mês. Ainda faltam tantos meses para nos voltarmos a ver... 
O lugar vazio que deixaste na cama, na mesa, ao meu lado a beber os nossos cocktailzinhos e a ouvir música, nas nossas idas ao teatro, ao cinema, às exposições, nas nossas conversas, nas inconfidências que trocamos, nos corpos nus que não se podem tocar agora...
Arrependo-me, arrependo-me tanto de não te ter tentado demover da ida, de não te ter tentado convencer a ficares... 
A convicção de que teria que partir de ti, e só de ti, não ires, impediu-me de o fazer. É em momentos como este, que gostava de ser como as mulheres comuns que manipulam os maridos, que os convencem, a bem da família e do casamento, a tomarem as atitudes que elas querem. Mas não sou! Se nunca tentei controlar a tua vida, não seria agora, passados tantos anos que iria fazê-lo. Porque não sou assim, porque acredito que se não continuarmos a ser dois que formam um, deixamos de fazer sentido, porque amo a tua individualidade e por isso, não ta posso roubar...
Mas queria-te aqui, comigo. E não queria ter que passar por isto outra vez, porque a tua ausência corrói-me os dias, leva bocados de mim que afinal são os que estão aí contigo, no outro lado do mundo.
Confesso que não sei viver sem ti, não sei mesmo. Tudo me parece artificial quando não estás, movo-me como um autómato, porque preciso de continuar a viver e as fazer as coisas do dia-a-dia, porque preciso de dar apoio ao J. e tentar colmatar a lacuna, que é a tua ausência, também na vida dele. Sei que não o faço bem, sei que a tua ausência nunca pode ser colmatada na vida dele, tal como na minha, talvez por causa da individualidade que te faz único, talvez porque a nossa relação é tão profunda e inteira que nos desmembramos quando nos separamos.
Mas queria-te aqui, comigo, connosco...

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