Avançar para o conteúdo principal

Roda dos Enjeitados

Li esta NOTÍCIA e fiquei de boca aberta. Não imaginava que isto ainda existisse...
Gostava de saber a verdadeira finalidade destas rodas... Salvar as crianças de serem assinadas pelas mães/pais? Desculpabilizar as mães/pais de um acto tão terrível, tão doloroso para ambas as partes? Evitar uma intervenção mais activa dos Estados nesta problemática? 
Não entendo...

Não acho correcto que se permitam abandonos de crianças assim, sem mais nem menos. Andamos a lutar para que as pessoas tomem consciência que abandonar animais é um acto hediondo e permite-se que se abandonem crianças desta maneira?
E ainda lhes dão uns folhetos informativos para o caso de mudarem de ideias? Se se arrependerem, vão lá buscá-las outra vez?
Uma coisa é quando se tem um filho que não é desejado, ir-se pessoalmente entregar o bebé a uma instituição, e para isso dar-se a cara, responsabilizando-se as pessoas pelos seus actos, dando espaço ao diálogo e à consciencialização dessa atitude. Outra coisa é facilitar-se o abandono permitindo o anonimato e a desresponsabilização, impedindo a intervenção de técnicos que poderiam ajudar as pessoas a reflectir. 
Acredito que, muitas vezes os abandonos dos filhos se dão devido a um desespero extremo, tornando-se actos irreflectidos que depois dão lugar ao arrependimento. Porque não ajudar as pessoas a pensar, quando estão incapazes disso? Sai muito caro aos Estados? Ou as crianças têm um fim que não o da adopção como a conhecemos, mas o da venda ou o da venda de órgãos, por exemplo? 

Estarei eu a ver mal onde não existe? Ou isto já está para lá do bizarro?

Mensagens populares deste blogue

O Espelho

Em pequena fui protectora das minorias, dos mal-tratados e dos ofendidos. Costumava juntar-me à mais gorda ou mais feia da turma, aquela menina com quem toda a gente gozava e com quem ninguém gostava de ser visto. Tratava melhor os que eram desprezados e tinha uma atenção especial para com quem levava mais reguadas. Ainda sou um bocado assim, porém não tanto, porque as pessoas  que eu considerava minorias me foram mostrando tantos lados das suas personalidades que deixei de as ver apenas como mal-tratadas, ofendidas e carentes de protecção. Percebi, ao longo dos anos, que somos muito mais do que aquilo que aparentamos. E ainda bem, digo-o hoje.
Olhando para trás, penso que talvez o fizesse por pena de as pessoas não terem as mesmas atenções que os outros, ditos populares, e como que para compensar os males que lhes faziam. 
Olhando depois para dentro de mim, penso que também agia daquela forma para desviar os olhares das minhas próprias fragilidades. Se eu protegesse outros, sentir-me…

Afectos e machismo

Temos um PR adorado pelos seus abraços e beijinhos;Temos um acórdão do Tribunal da Relação do Porto que cita a Bíblia para desculpar a violência doméstica exercida sobre uma mulher adúltera.

Proponho o seguinte exercício: - Imaginar que o PR era uma mulher que investia em abraços e beijinhos aos populares; - Imaginar que o acórdão desculpava a violência doméstica exercida sobre um homem adúltero.
Que resultado obteríamos deste exercício? Calculo que surgiria a teoria de que a PR seria uma promíscua, carente de afectos, ou que se estaria a "atirar" a todo homem que lhe aparecesse à frente...Calculo que o homem agredido seria achincalhado por permitir sofrer violência doméstica por parte de uma mulher e que, em simultâneo, seria perdoado do adultério, tanto por ter uma mulher violenta, quanto por ter "carne fraca"... Enquanto condicionarmos a nossa avaliação das situações pelos géneros dos intervenientes, estaremos sempre em desigualdade. Enquanto não conseguirmos separar c…