Avançar para o conteúdo principal

Post Irónico

Porque hoje foi Dia da Criança, vou dedicar este post a todos aqueles que, incapazes de resolver as suas frustrações pessoais, maltratam, de uma forma continuada, as crianças.
Não vou falar de pedófilos, abusadores sexuais ou outros autores de maus-tratos, pois esses são casos de tal ordem patológicos que ultrapassam a minha capacidade de análise. Vou concentrar-me naqueles, que parecendo pessoas normais, ofendem e humilham quem AINDA não tem capacidade para se defender.

Vou falar-vos de uma cena magistral, entre várias, a que assisti.

Um adulto, do alto dos seus um metro e oitenta e tal, a humilhar crianças com metade do seu tamanho e um terço da sua idade. 
Visão divinal, soberba!
Só me apeteceu aplaudir de pé a coragem deste ser. Por isso, mal ele abriu a boca, sentei-me logo com medo de cair para o lado com a emoção do espectáculo que me esperava.
Digam lá se não é digno de aplausos, ver alguém ter tomates para humilhar crianças? É preciso ter uma coragem muito superior à média para se enfrentar tão poderosos adversários! Ainda mais, quando a moral das crianças já está previamente em frangalhos! Adultos destes são do mais alto gabarito e confesso que me impressionam com a maneira destemida com que enfrentam adversários tão terríveis e assustadores. Fazem-me lembrar os cavaleiros das histórias que travavam batalhas de morte contra os pavorosos dragões. Fooogo! Isto é que são homens!
Enfrentar adultos da sua idade e tamanho?! Nãaaa!!! Isso são brincadeiras de meninos! Coragem que é coragem só se for com rivais à altura. E quem melhor do que crianças com a auto-estima lá bem em baixo para nos defrontar?
Não se bate em ceguinhos com um caniço oco, não, é logo com uma viga de ferro! Não vá o ceguinho ripostar no momento preciso em que nos vir a levantar o caniço... Ups, pois é, os ceguinhos não vêem! Ah, mas isso não passa de um pormenor sem qualquer importância, o que interessa é dar cabo dele ao primeiro golpe! E se houver assistência, ainda melhor! É sempre bom haver testemunhas dos nossos momentos apoteóticos! Claro que isto só é possível a pessoas completamente desprovidas de cobardia, não é coisa para um simples aventureiro!
E a ideia de se mascarar a cena numa demonstração de exigência e profissionalismo também me pareceu digna de mestre. A sério!!!!

Mas nesta exultação de ego, só lhe notei uma pequena falha, que me perdoe o herói, mas realmente há uma falha...
Exigência não é sinónimo de estupidez. Não, não é. Para se ser exigente não é obrigatório ser-se estúpido. Pode-se ser, mas não é obrigatório. Até porque a exigência que costuma vingar, é aquela que é contrabalançada com o reconhecimento do esforço e com a motivação.

Ah, pois é, perdão, estas palavras não costumam constar nos dicionários destes exímios corajosos!

Imagem retirada da Internet

Mensagens populares deste blogue

O Espelho

Em pequena fui protectora das minorias, dos mal-tratados e dos ofendidos. Costumava juntar-me à mais gorda ou mais feia da turma, aquela menina com quem toda a gente gozava e com quem ninguém gostava de ser visto. Tratava melhor os que eram desprezados e tinha uma atenção especial para com quem levava mais reguadas. Ainda sou um bocado assim, porém não tanto, porque as pessoas  que eu considerava minorias me foram mostrando tantos lados das suas personalidades que deixei de as ver apenas como mal-tratadas, ofendidas e carentes de protecção. Percebi, ao longo dos anos, que somos muito mais do que aquilo que aparentamos. E ainda bem, digo-o hoje.
Olhando para trás, penso que talvez o fizesse por pena de as pessoas não terem as mesmas atenções que os outros, ditos populares, e como que para compensar os males que lhes faziam. 
Olhando depois para dentro de mim, penso que também agia daquela forma para desviar os olhares das minhas próprias fragilidades. Se eu protegesse outros, sentir-me…

Afectos e machismo

Temos um PR adorado pelos seus abraços e beijinhos;Temos um acórdão do Tribunal da Relação do Porto que cita a Bíblia para desculpar a violência doméstica exercida sobre uma mulher adúltera.

Proponho o seguinte exercício: - Imaginar que o PR era uma mulher que investia em abraços e beijinhos aos populares; - Imaginar que o acórdão desculpava a violência doméstica exercida sobre um homem adúltero.
Que resultado obteríamos deste exercício? Calculo que surgiria a teoria de que a PR seria uma promíscua, carente de afectos, ou que se estaria a "atirar" a todo homem que lhe aparecesse à frente...Calculo que o homem agredido seria achincalhado por permitir sofrer violência doméstica por parte de uma mulher e que, em simultâneo, seria perdoado do adultério, tanto por ter uma mulher violenta, quanto por ter "carne fraca"... Enquanto condicionarmos a nossa avaliação das situações pelos géneros dos intervenientes, estaremos sempre em desigualdade. Enquanto não conseguirmos separar c…