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Namoradas #2

Imagem retirada DAQUI

Em conversa com o J. e com a avó...
-Como vão as coisas com a S.?
-Nada! Ela gosta de mim, mas eu não gosto dela! Ela DIZ que gosta de mim!
-Diz?! E não gosta?
-Não, ela diz que gosta, mas... como é que eu hei-de de vos explicar?.. Nos sentidos é diferente, nos sentidos não gosta...
-Sentidos como?
-Na audição, no olfacto, na visão? - pergunta a avó.
-Não!
-Nos sentimentos?!
-Sim!
-E como sabes isso?
-Ela diz que gosta, mas quando lhe tento dar um beijo ela faz blhac, e já diz que não gosta!
-Talvez ela ainda não esteja preparada para beijinhos... Tu não tentas dar-lhe beijinhos assim com um bocadinho de força?
-Não, já não faço isso!
-Mas se não gostas dela, porque tentas dar-lhe beijinhos?
-É para testar...
-Para testar?!
-Sim, para ver se ela gosta mesmo de mim ou se só diz...
-Hummm!!!
-E ela não gosta, só diz!
-Ela pode só ainda não lhe apetecer beijinhos. Porque não começas antes por lhe dar umas festinhas, em vez de ires logo para os beijinhos?
-Porque isso é dar graxa! 

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#9 Excertos de uma coisa qualquer

O sol baixou para mais perto da linha do horizonte, ficando a um palmo do mar. Tinha-se passado tempo que não senti. Chet Baker tocava, agora, trompete só para nós. “I talk to the trees” pairava pela esplanada em busca do melhor lugar para se aninhar. Aninhou-se ali, entre mim e aquela mulher-menina. Não havia mais ninguém na esplanada, o casal da única mesa ocupada além das nossas tinha desaparecido, por isso o empregado aumentou o som. Faziam-no sempre que não havia gente que se pudesse queixar do barulho. Nunca me queixei. Antes pelo contrário, era essa a razão que me levava a percorrer quilómetros até ali: o jazz, por vezes alto, quanto mais alto melhor, e o sol a pôr-se no horizonte, quanto mais baixo melhor. - É a primeira vez que aqui venho – interrompeu-me, Ana, os pensamentos como se os lesse e precisasse de lhes responder – Costuma cá vir? - Sempre. Quase todos os dias no verão. - Porque não gosta de Direito? – saltava de tema em tema como se todos estivessem interligados. - Não…

#7 Excertos de uma coisa qualquer

Sentei-me na mesma mesa do canto. Pedi uma cerveja, acendi um cigarro e fiquei a olhar o mar. A esplanada estava quase vazia. Às três da tarde é normal não haver muita gente por aqui. Está muito calor. É a hora de que mais gosto, porque o vazio do espaço e a paisagem cheia ajudam-me a rascunhar palavras no meu caderninho. Escrevo frases soltas, sem grande nexo, que depois uso nos meus livros. O mar, lá em baixo, no fim da falésia a bater nas rochas e a brisa ligeira, cá em cima, a refrescar-me a mente, libertam as palavras que tenho presas em mim. Preciso de as soltar para voltar ao ténue equilíbrio que me mantém vivo. Trouxeram-me amendoins salgados. Sabem que são os meus aperitivos preferidos para acompanhar a cerveja. Bebo-a com mais gosto e com mais sede. Bebo golos pequenos, o gás faz-me arrotar se a tentar beber de um trago. Por isso, depenico a cerveja, e os amendoins, da mesma forma que sempre depeniquei a vida. Ela surgiu no cimo das escadas que nos leva até à esplanada. Sent…