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Cineminha

Fomos "pegá um cineminha" na secção das 19h. A Bela e o Monstro, versão 3D. 
Éramos os únicos espectadores do filme, portanto a sala era nossa! Nem sequer vieram ver se tínhamos os bilhetes. Cheguei a pensar que me tinha enganado nas horas, no filme ou na sala.
O J. ficou todo contente...
-Mãe, temos uma sala de cinema só para nós!

No intervalo, dançou ao som de um stunc, stunc qualquer. Parecia um Michael Jackson em versão negra, ups, branca!
Queria ir para o pé da tela dançar, mas só não o deixei porque achei que a segunda parte estava quase a começar e que depois ele ia ter medo de voltar para o lugar às escuras.
Este meu filho adora dar espectáculo e, nada melhor do que ter uma sala de cinema inteirinha só para ele, mesmo quando só com uma única espectadora, eu.

Na parte triste do filme, lá começou ele a chorar...
-Então J., não chores, o monstro não morreu. Vais ver que agora ele já vai acordar...
-Eu sei, mas deixa-me chorar! Choro sempre... Tu não choras?
-Agora já não, mas dantes chorava. Agora sei que há sempre uma parte triste, mas que depois fica tudo bem outra vez.
-Porque é que há sempre uma parte triste?
-É para depois haver a parte boa e ficarmos todos contentes. Os filmes americanos são quase todos assim... até os para adultos.
-Humm! São todos?
-Quase todos!

No carro, a caminho de casa, viemos a ouvir rádio. Deram imensas músicas de que eu gosto e fartei-me de cantar. O J. diz:
-Mãe, tivemos muita sorte hoje, um cinema só para nós dois e agora estão a dar as músicas todas de que tu gostas... Foi um dia em cheio!

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