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Desassossego

Gostava de conseguir transpor o meu desassossego para o papel. Utilizar a escrita para despejar a minha cabeça de tudo o que por aqui borbulha. Transformar em caracteres tormentas, palavras, sensações, dúvidas (imensas dúvidas) que me esvaziaria e me devolveria o silêncio revitalizante. 
Este cérebro não pára um segundo, o que, às vezes, me cansa, cansa-me muito. É como se estivesse sempre alguém a fazer-me perguntas ao ouvido.
Algumas questões consigo pôr de lado, como quem separa a comida e coloca a de que não gosta à borda do prato. Mas quando sinto fome, vou lá buscá-la outra vez.
Outras não me largam. Infernizam-se a vida, pulsam-me nas têmporas. 
E quero encontrar as respostas, preciso!
Este cepticismo obstinado é doentio. Mas se não fosse ele, eu não teria vontade de estar aqui, nem de tentar sorver toda a espécie de conhecimento possível. Toda a espécie, não, porque há coisas que o meu cérebro rejeita. E rejeita tão veemente, que acabo por me sentir culpada por não querer saber, por não conseguir querer saber.
E o desassossego invade-me! Invade-me com tanta força, que preciso de fugir de mim mesma, ou alienar-me com porcarias para lhe escapar.
Mas ele acaba por voltar sempre e cada vez com mais convicção em inquietar-me. E inquieta-me. E eu fico a absorver tudo o que me rodeia: o sol, o céu, as pessoas, as palavras, os desenhos, os gestos, a música, o ar, até sobre o ar eu reflicto...

Maldita hora em que nasci pensante! Porque raio de carga de água não nasci em forma de gato?

Vou, mas é jogar Bubbles, pronto!

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Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…