Avançar para o conteúdo principal

Quando as Cabeças de Uns são os Degraus de Outros

O humilhador compulsivo é, na sua grande maioria, profundamente frustrado e também já foi, talvez em tempos, muito humilhado. Mas este facto não lhe dá legitimidade, nem desculpa, para utilizar as fraquezas dos outros como fonte de alimentação da sua fraca auto-estima.

O humilhador compulsivo aproveita o mínimo deslize, daquele que julga ser melhor do que ele, para se engrandecer e para se ver subir na escala por ele próprio delineada. No fundo, ele detesta-se, sente-se medíocre e a única forma que encontra para combater o ódio que nutre por si próprio, é rebaixando os outros, é denegrindo a imagem dos outros. 
Geralmente, ataca quem julga mais susceptível, apesar de melhor no seu entender, susceptível, para que a sua relativa e suposta grandeza seja observada por quem deseja impressionar e, por si próprio. Ridiculariza, despreza e corrói os sonhos e aspirações de alguns para se sentir poderoso e tirar do chão o seu amor-próprio quase inexistente.

Às vezes, escolhe crianças como vítimas da sua cruel humilhação, e escolhe-as porque são susceptíveis. E, sem sequer se aperceber, diminui-se, reduz-se a qualquer coisa ainda mais baixa do que aquilo que sente. No uso de uma autoridade exagerada e ridícula, vê a sua ascensão suprema, que na realidade não passa de um amontoado de complexos de inferioridade que ganham corpo e voz de gente.

Se, pelo contrário, tentasse aproveitar as qualidades que tem (porque os humilhadores compulsivos também têm qualidades, só não estão é conscientes delas) para se afirmar e para se aceitar, acabaria por se sentir melhor e escusaria de maltratar os outros injusta e impunemente.

Ele crê que só olhando os outros de cima, pondo-os para baixo, pode atingir um nível superior, o que não é de todo verdade, pois ele pode olhar os outros de frente se tiver consideração e se gostar do "eu" que tanto o revolta.

No entanto, e apesar da carapaça de ferro que ostenta, ele é extremamente frágil e, ao mínimo abanão, parte-se com facilidade.
Quando as cabeças dos outros, que ele pensa serem degraus, se viram, deparam-se com mil cacos para apanhar, que apanham, num derradeiro gesto de altruísmo e piedade. E o ser humilhador, que não mais precisa senão de colo e valorização, fica tal e qual um menino implorando por um pouco de amor...

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…