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De Volta à Minha Velhota

Este fim-de-semana, fomos visitá-la.

A minha velhota, em tempos foi uma égua cheia de energia, que trotava quase em passage quando estava excitada e galopava de cauda levantada fazendo jus a algum do sangue árabe que lhe circula nas veias.

Quando os meus pais ma compraram, com seis anos, por 400 contos (sim, ainda eram contos e já lá vão 17 anos), ela tinha acabado de chegar à idade adulta e, como jovem que era, assustava-se com tudo o que mexia. Ora era uma folhinha que abanava com o vento, ora era uma poça de água que reflectia o sol, ora era qualquer coisinha que só ela via, mas que devia ser deveras intimidadora...
A relação dela com as poças de água era tortuosa, pois fazia uma ginástica incrível só para não molhar o pezinho e eu, lá em cima, via-me grega para a conseguir levar a direito em dias de chuva.

Esta velhota ensinou-me a montar. Suportou a minha mão que se agarrava à boca dela, através das rédeas, numa procura incessante por equilíbrio, aguentou as minhas quedas, esperando por mim um pouco mais adiante, caiu comigo uma ou outra vez e tolerou todas as minhas nabices de cavaleira inexperiente. Acompanhou a minha evolução enquanto cavaleira e enquanto pessoa...

A minha égua está velha e cansada.
A idade está a roubar-lhe a energia, aquela energia que nos levava, às duas, pelos campos, que nos fazia saltar obstáculos, que me enchia os olhos de lágrimas ao vê-la galopar que nem uma doida ou rebolar-se no chão a seguir ao banho...
Ela, quando nova, não fazia fitas para entrar em atrelados. Adoptava os filhos das outras éguas, brincava com eles e ensinava-os a comportarem-se em manada e, quando era montada por crianças ou por cavaleiros com pouca experiência, sabia que tinha que andar com mais cuidado.

Esta égua só não foi um cavalo brilhante em equitação, porque quem a montava nada tinha de cavaleira brilhante. Gostar excessivamente de cavalos nunca me deixou ser boa cavaleira. Para isso eu teria que gostar um bocadinho menos deles e mais de montar, mas a minha paixão sempre foi o animal, não o desporto...

Hoje, guardo na memória cada cavalo que conheci como se de pessoas se tratassem e a minha velhota ficará sempre naquele grupo que reservamos para a família mais chegada ou para os melhores amigos.

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O Espelho

Em pequena fui protectora das minorias, dos mal-tratados e dos ofendidos. Costumava juntar-me à mais gorda ou mais feia da turma, aquela menina com quem toda a gente gozava e com quem ninguém gostava de ser visto. Tratava melhor os que eram desprezados e tinha uma atenção especial para com quem levava mais reguadas. Ainda sou um bocado assim, porém não tanto, porque as pessoas  que eu considerava minorias me foram mostrando tantos lados das suas personalidades que deixei de as ver apenas como mal-tratadas, ofendidas e carentes de protecção. Percebi, ao longo dos anos, que somos muito mais do que aquilo que aparentamos. E ainda bem, digo-o hoje.
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Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
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Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

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Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


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Ontem, no elevador, olhei ao espelho o meu peito que espreitava pelo decote em bico da camisola, e vi-a. "Tenho uma tatuagem no meio do peito", pensei. Geralmente, não a vejo. Faz parte de mim, há dez anos, aquele pontinho meio azulado. Já quase invisível aos meus olhos, pelo contrário, ontem, olhei-a com atenção, porque o tempo já me separa do dia em que ma fizeram e me deixa olhá-la sem ressentimentos. À tatuagem como à cicatriz que trago no pescoço.

A cicatriz foi para tirar o gânglio que confirmou o linfoma. Lembro-me do médico me dizer "vamos fazer uma cicatriz bonitinha. Ainda é nova e vamos conseguir escondê-la na dobra do pescoço. Vai ver que quase não se vai notar". Naquela altura pouco me importava se se ia notar. Entreguei o meu corpo aos médicos como o entrego ao meu homem quando fazemos amor.
"Façam o que quiserem desde que me mantenham viva", pensava. "Cortem e cosam à vontade! Que interessa a estética de um corpo se ele está a morrer?!…

Facebook lovers

Chegam ao restaurante de mãos dadas como nos tempos em que ele ainda não tinha a barriguinha que lhe força os botões da camisa e ela as duas camadas de base em tonalidades diferentes que escondem os traços que o tempo lhe foi desenhando no rosto.
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Num silêncio premeditado, o frente-a-frente impõe-se. Afinal é dia dos namorados e o romantismo é a palavra de ordem.
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A voz sai-lhe tão melosa quanto o olhar que ela lhe dirige:
- Estás linda! - semicerra os olhos como que a comprovar a veracidade das suas palavras.
Aponta-lhe a objectiva …

Parabéns ao Blogue!

Este blogue fez dois anos, no sábado passado, mas, para variar, esqueci-me.  Bad girl, bad bad girl!
Parabéns atrasados a ele e a mim (que sou uma atrasada nestas coisas, e noutras...).