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Arte

Num destes fins-de-semana, fomos ao Museu Berardo tirar a barriga de misérias culturais. Queríamos ver a exposição do BES Photo.
Gostamos de fotografia, por isso, tudo o que são exposições da dita cuja, lá estamos nós, mas o J. anda a perder a paciência para tanta fotografia. Então, quando o informámos que íamos ver mais uma, disse:
-Não!!!! Não quero ir, já estou farto de ver fotografias!
Ao que nós respondemos:
-Mas nós não e como não podes ficar em casa sozinho, vens connosco!

E lá fomos nós, com ele todo chateado...
Quando chegámos, ficou mais animadito. Apesar de estar farto de fotografias, diverte-se sempre que vamos ao Museu Berardo.
Vimos a exposição de fotografia num instante, eu e ele, porque o pai demora mais um bocadinho, devido a ser o apreciador-mor da coisa.

De seguida, fomos ver a exposição permanente. Mal entrámos, o J. diz:
-Isto sim, já gosto de ver. Eu gosto é de arte!
Ainda tentei explicar-lhe que a fotografia também é uma forma de arte, mas não adiantou grande coisa, para ele, ver fotografias só vale a pena se o fotografado for (adivinhem) ...
... ele próprio.

Na exposição permanente, cada quadro colorido que observámos, ele dizia "olha, este ficava bem na nossa sala", "este punha-o no corredor", "quero este para o meu quarto".

Quando chegámos a uma escultura, instalação, ou lá o que é aquilo, que consiste num frigorífico todo amachucado por calhaus que lhe foram atirados (pode-se ver um vídeo que demonstra como chegaram àquela peça divinal), o J. pára e fica a ver.
-Gosto desta! - diz.
-Eu não, não acho piada nenhuma...
-Vamos ficar a ver.
Ficámos, um bocadinho, porque eu não tenho paciência para ficar dez minutos a ver dois gajos a atirarem pedras a um frigorífico e, ainda por cima, já tinha sido enganada uma vez em que aturei o vídeo até ao fim.
Seguimos para a próxima, e para a próxima, e para a próxima... Cada peça que víamos, o J. inventava uma utilidade para ela...
-Esta podia ser uma pista de carros... Aqui, podíamos pôr as pessoas a assistir à corrida, os carros andavam às voltas... Não era giro, mãe?
-E estas luzes? São giras não são, mãe?
-Gosto desta, é tão grande!

Seguimos para a próxima exposição, Propaganda de Guerra.
Explicámos ao J. o que tratavam os cartazes de propaganda de guerra, contámos-lhe o que foi a 2ª Guerra Mundial e apresentámos-lhe o Hitler. Ele, todo interessado, fazia perguntas atrás de perguntas...
-Se eu visse o Hitler, sabem o que lhe fazia? Dava-lhe um murro assim, outro assim e outro assim! Só me apetece rasgar estas fotografias todas dele!
O rapaz saiu da exposição transformado num verdadeiro membro da Resistência, pronto a combater contra o primeiro Nazi que lhe aparecesse à frente.

Realmente, a arte faz mesmo mal às criancinhas, dá-lhes informação, conhecimento, espírito crítico e transforma-as em pequenos demónios que até usam a cabeça para pensar sobre as coisas...
Acho muito bem que, neste país, não se aposte nada nas diversas formas de arte, nem na cultura de um modo geral. Caso contrário, correríamos o risco de torná-lo num país de gente que pensa e, quando as pessoas pensam são um perigo, porque até podem vir com aquelas ideias de revoltas ou outras assim do género...
E um governo consciencioso, deve temê-las, e muito!!!!

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