Avançar para o conteúdo principal

... 3 ... 2 ... 1

Estou furiosa! O mais furiosa que possam imaginar!
Não sou partidária, apesar de simpatizar mais com alguns partidos políticos do que com outros, mas estou completamente e assumidamente contra as políticas do Ministério da Saúde português.
O pior que este governo podia ter feito, e fez, foi pôr um gestor à frente do Ministério da Saúde a dar cabo do SNS.
Este senhor quer matar-nos, sim matar-nos!
Não sei se não seria mais honesto da parte dele, arranjar umas câmaras de gás e atirar todos os doentes lá para dentro, do que andar a tirar direitos e apoios a quem deles necessita e que, ainda por cima, é ou está doente.
É desumano e vergonhoso!

O SNS não é uma instituição com fins lucrativos. Não se pode querer obter lucros com a saúde, a saúde é um direito da população! Fabricarem-se regras e normas para que as pessoas não possam usufruir do seu direito à saúde, é homicídio, ou melhor, genocídio!

Os médicos de família deixaram de ver exames ou de passar credenciais fora das consultas e, só se consegue marcar consultas para quando já se tiver morrido do mal que nos levou a precisar de ir ao médico. Isto, para as pessoas irem a médicos particulares e fazerem exames por conta própria, ou para morrerem de uma vez por todas, porque se não podem contribuir com trabalho (ou dinheiro) para o Estado Português (que, não sei se já repararam, mas agora já nem se chama Estado, passou a ser denominado Governo de Portugal), pelo menos não lhe dêem despesas.
Resumindo, para poupar!

Os médicos têm metas de produtividade. Produtividade, sim! E querem que eles produzam o quê? Que dêem o maior número de consultas no menor tempo possível, ou seja, que coloquem os doentes numa linha de montagem e lhes receitem um medicamento qualquer, de preferência um dos que não são comparticipados, que usem a menor quantidade possível de material, (como por exemplo, compressas, algodão, etc.) e os despachem para casa rapidamente e, se os doentes ficarem insatisfeitos com o tratamento administrado, melhor, pode ser que assim se decidam a desistir do SNS e resolvam fazer um seguro de saúde, continuando, claro, a descontar exactamente o mesmo para a Segurança Social.
Estas metas de produtividade contribuem para que os médicos deixem de olhar para os doentes com olhos de ver, porque ainda têm centenas para atender a seguir; para que evitem fazer tratamentos mais eficazes, com medo de gastar material em demasia; para que o seu cansaço se reflicta em decisões menos pensadas e, por vezes, até erradas.


E a causa de tanta insensibilidade é esta sociedade, a mundial, que está mais doente do que todos os doentes juntos, porque só pensa em Euros e Dólares (em ganhá-los, em produzi-los e em poupá-los) e descura a Humanidade e a Natureza, que são os verdadeiros, e únicos, factores que sustentam a Vida.

Se continuarmos assim, daqui a uns anos, quero ver quem é que vai cá ficar a usufruir de tantos Euros e Dólares...

Eu não vou ser de certeza, porque eu, como doente, sou um alvo a abater, nos próximos...

...  3  ...  2  ...  1

Mensagens populares deste blogue

Por entre livros e árvores

Estou sentada no sofá do supermercado junto aos livros.

Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

Hoje, levo comigo para o sofá o Lobo Antunes e o Rodrigo Guedes de Carvalho. Vou lendo pedaços de um e de outro. Salto capítulos, reviro os livros e escolho páginas aleatórias na tentativa de entrar nas histórias e nas palavras. Mergulho em parágrafos que me marcam, afundo-me em frases que me fazem eco. Volto à superfície.

Por momentos, desvio o olhar dos livros para perceber o que se passa à minha volta. Entram e saem pessoas do supermercado. Há um homem que passa de guarda-chuva em punho como se fosse uma…

Marcadores: Capítulo 4

Levantou a cabeça. Olhou-me como se fosse pela primeira vez. Senti os olhos a percorrerem-me o rosto. Contornou-me os olhos, a boca, o nariz e parou o olhar para além de mim. É estranha a sensação de nos desenharem com os olhos, vermos-nos estampados na mente dos outros, recortados, colados e redesenhados. Deixamos de ser nós para passarmos a ser uma ideia de nós. Ana desenhou-me, mas abandonou a obra a meio para se colocar a uma distância de segurança. Foi para além de mim e por lá ficou.  - Desculpe tê-lo incomodado. Não devia ter vindo contagiá-lo com a minha tristeza. Estava aqui sossegado a beber a sua cerveja, melhor do que uísque, e vim trazer-lhe tristezas. A minha vida não tem estado fácil… Desculpe-me. É melhor ir-me embora. - Não, deixe-se estar. Estou a gostar de estar consigo. Além disso, não está em condições de ir sozinha para casa. Pelo menos, por agora. – disse-lhe, enquanto observava os dedos que tentavam desfolhar o marcador em forma de flor mais ou menos a meio do li…

Marcadores: Capítulo 1

Sentei-me na mesma mesa do canto. Pedi uma cerveja, acendi um cigarro e fiquei a olhar o mar. A esplanada estava quase vazia. Às três da tarde é normal não haver muita gente por aqui. Está muito calor. É a hora de que mais gosto, porque o vazio do espaço e a paisagem cheia ajudam-me a rascunhar palavras no meu caderninho. Escrevo frases soltas, sem grande nexo, que depois uso nos meus livros. O mar, lá em baixo, no fim da falésia a bater nas rochas e a brisa ligeira, cá em cima, a refrescar-me a mente, libertam as palavras que tenho presas em mim. Preciso de as soltar para voltar ao ténue equilíbrio que me mantém vivo. Trouxeram-me amendoins salgados. Sabem que são os meus aperitivos preferidos para acompanhar a cerveja. Bebo-a com mais gosto e com mais sede. Bebo golos pequenos, o gás faz-me arrotar se a tentar beber de um trago. Por isso, depenico a cerveja, e os amendoins, da mesma forma que sempre depeniquei a vida. Ela surgiu no cimo das escadas que nos leva até à esplanada. Sent…

Marcadores: Capítulo 3

O sol baixou para mais perto da linha do horizonte, ficando a um palmo do mar. Tinha-se passado tempo que não senti. Chet Baker tocava, agora, trompete só para nós. “I talk to the trees” pairava pela esplanada em busca do melhor lugar para se aninhar. Aninhou-se ali, entre mim e aquela mulher-menina. Não havia mais ninguém na esplanada, o casal da única mesa ocupada além das nossas tinha desaparecido, por isso o empregado aumentou o som. Faziam-no sempre que não havia gente que se pudesse queixar do barulho. Nunca me queixei. Antes pelo contrário, era essa a razão que me levava a percorrer quilómetros até ali: o jazz, por vezes alto, quanto mais alto melhor, e o sol a pôr-se no horizonte, quanto mais baixo melhor. - É a primeira vez que aqui venho – interrompeu-me, Ana, os pensamentos como se os lesse e precisasse de lhes responder – Costuma cá vir? - Sempre. Quase todos os dias no verão. - Porque não gosta de Direito? – saltava de tema em tema como se todos estivessem interligados. - Não…