Avançar para o conteúdo principal

O Meu Bebé


Adoro ver o meu filho dormir! Não é que não o adore ver, também, acordado, mas quando ele está a dormir inspira-me uma calma e harmonia maravilhosas.
Ele dorme muitas vezes, na posição fetal e, quando o vejo assim, quase o sinto na minha barriga. Imagino os pontapés que me daria e lembro-me que, quando estava grávida, ele tinha horas certas para entrar em rebuliço, a que chamávamos "a hora da caça". 
Quem tem gatos sabe que, quando anoitece, eles são atacados pelos instintos de caça e começam a correr de um lado para o outro, de tal forma que parecem uns loucos. Pois os bebés, na barriga das mães também têm horas de grande agitação (pelo menos o meu tinha), por isso lhe chamávamos "a hora da caça".

Tenho saudades dele em bebé, do cheiro a bebé, das mãozinhas pequeninas, de o ouvir palrar, de o ver sorrir com aquele ar de tontinho de quem ainda não sabe nada da vida. 
Às vezes, consigo ver, na cara dele, o bebé que ele foi... 

Ele pede-me para lhe contar como era, as gracinhas que fazia e, adora que lhe relate o dia em que nasceu: o que o pai me disse durante o parto; a sensação que tive quando o levaram e me deixaram sozinha, sem ele, pela primeira vez em nove meses; as minhas nabices de mãe inexperiente; o facto de ele ter passado as primeiras 24 horas a dormir e as maldades que as enfermeiras lhe fizeram para o acordar... Ri-se com aquele riso "dobrado" dos bebés, e enternece-me, e faz-me senti-lo tão próximo como se o tivesse, outra vez, dentro mim...

Imagem retirada da Internet

Mensagens populares deste blogue

Facebook lovers

Chegam ao restaurante de mãos dadas como nos tempos em que ele ainda não tinha a barriguinha que lhe força os botões da camisa e ela as duas camadas de base em tonalidades diferentes que escondem os traços que o tempo lhe foi desenhando no rosto.
Ele afasta a cadeira para ela se sentar num gesto que reproduz o cavalheirismo dos filmes românticos de Hollywood. Ela senta-se com olhar meloso, encarnando a personagem feminina da trama, e ajeita a saia que lhe aperta as formas agora mais arredondadas.

Num silêncio premeditado, o frente-a-frente impõe-se. Afinal é dia dos namorados e o romantismo é a palavra de ordem.
O gesto automático tira o telemóvel do bolso da camisa dele que só acaba quando o objecto é pousado sobre a mesa. Está ansioso, mas não quer lhe notem a inquietação. Afinal, é só mais um dia dos namorados.

A voz sai-lhe tão melosa quanto o olhar que ela lhe dirige:
- Estás linda! - semicerra os olhos como que a comprovar a veracidade das suas palavras.
Aponta-lhe a objectiva …

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.
O pai tentou: -Detritos nasais!
Eu tentei: -Fluídos nasais secos!
As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…

Voo da Paixão

Voámos alto, em noites gélidas que tornámos escaldantes. Voámos tão alto, que pude ver as estrelas e a Lua.
Mas o voo não é interminável e temos que pousar. Pousar para reabastecer, pousar para descansar e para voltar a voar... de novo... uma vez mais...
Quantas vezes o fizemos? Quantas vezes precisaremos de o voltar a fazer?

Se a paixão nos faz voar, o amor faz-nos pousar.