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Justiças e Injustiças

Imagem retirada da Internet

Detesto injustiças! Detesto mesmo! Talvez seja por isso que sofro de uma honestidade parva e doentia.
É verdade, que tenho melhorado um pouco, já não sou tão parva nem tão honesta. A vida tem-me ensinado que honestidade desta só me prejudica e que, além de me prejudicar, também não beneficia ninguém. Apenas me prejudica...
Não passei a dizer mentiras, não! Continuo honesta, especialmente comigo mesma. Passei apenas a omitir algumas verdades, para não me lixar.
Também não passei a cometer injustiças a torto e a direito, passei tão só a deixar que acontecimentos (que são justos para mim, são sempre injustos para alguém) me beneficiem. Passou a ser uma questão de sobrevivência. Não podia continuar a prejudicar-me em prol de uma justiça utópica, não podia continuar a deixar que o justo para os outros, fosse injusto para mim...
Pode não ser a atitude mais certa, mais honesta, ou mais justa, mas bater em mim, para não bater nos outros é uma completa estupidez. E eu optei por deixar de ser estúpida (pelo menos no que diz respeito a este assunto).

Pergunto-me, vezes sem conta, como poderei preparar o meu filho para as injustiças da vida, pergunto-me, porque eu ainda não sei se eu estarei preparada para elas, porque ainda não sei se eu saberei realmente lidar com elas...
Ele, com esta idade, já tem sido alvo de algumas... Porém, ainda não se apercebe da dimensão de todas elas, felizmente...

Deverei ensiná-lo a lutar pela mesma justiça utópica que eu tenho vindo a abandonar? Ou deverei ensiná-lo a ser imune aos efeitos nefastos das injustiças?
Qual destas hipóteses o fará mais feliz? 
Talvez um pouco das duas, não sei...
Quais são os critérios que lhe poderei transmitir para que distinga uma da outra, para que opte sempre (ou quase sempre) pela mais correcta? E onde está o limite que separa a luta pela justiça e a indignação perante as injustiças, de uma batalha inglória e penosa que nos desfere golpes, atrás de golpes e nos magoa de morte?

Quem me dera saber...

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