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Alimentar o Monstro

Estou chocada! 
Acreditam que ontem ouvi a história de um miúdo de 8 anos (leram bem, 8 anos) que ainda usa chucha para dormir e que deixou de dormir na cama dos pais há 6 meses?
Pois eu nem queria acreditar! 
Ainda perguntei à mãe, a medo, se não havia maneira da chucha desaparecer. Ao que ela me respondeu " Ah, nem fazes ideia como ele fica, não dorme a noite toda, nem nos deixa a nós dormir, e ainda por cima, tem duas chuchas!".
"Oh!", saiu-me. 
Ainda tentei dar o exemplo do meu filho que nunca dormiu na nossa cama, deixou de dormir no nosso quarto com 6 meses e largou a chucha de um dia para o outro, tudo isto pacificamente, mas ela estava tão decidida que aquele era um problema completamente insolúvel que nem me ouviu.
"Mas... e se lhe explicassem?", tentei eu mais uma vez.
"Não dá, é impossível, ele não consegue dormir sem a chucha!"

Desisti! Aquele era o grande problema dela e ela não abriria mão dele de jeito nenhum. Qualquer solução que lhe apresentasse seria imediatamente rejeitada em prol do seu drama. Deixei-a dramatizar, largando uns "sim...", "pois...", "realmente é terrível!".

Que há a fazer quando as pessoas gostam de alimentar os seus problemas para que eles se tornem, cada vez mais gordinhos, anafadinhos, e de preferência, insolúveis?
Ajudá-las a alimentar o monstro!
E eu lá fui dando umas bolachinhas ao seu monstro com todo o carinho e dedicação possíveis, assentindo com a cabeça às queixas sobre as suas dificuldades e atirando uns "hum, hum", "claro", "certamente" para que se sentisse apoiada.

Mas depois fiquei a pensar ("lá está ela a pensar outra vez, mas que raio de mania!") que o que me parece mais dramático nisto tudo, é que o problema dela, não é só dela, é principalmente do filho, que aos 8 anos, não consegue dormir sem chucha; que aos 8 anos, tem uma dependência da chucha e dos pais, que já não devia ter; que aos 8 anos, não o ajudam a crescer, porque não lhe sabem dizer "não" ou porque querem fazer parecer que lhe consentem tudo.

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