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O(s) Resto(s) do Mundo

Muito se tem falado, na comunicação social, dos idosos que morrem sozinhos em casa. 
Hoje, apetece-me falar sobre este assunto.


Os velhos deixaram de ter interesse para a sociedade. Economicamente, os velhos não produzem, não criam riqueza para o país, levam dinheiro do Estado em reformas (muitas delas miseráveis), em comparticipações nos medicamentos, em assistência médica. 
Como aqui não há uma tradição como a dos países orientais, em que se valoriza o conhecimento dos mais velhos, não há políticas que os protejam.
As famílias não têm dinheiro, tempo, nem disposição (leia-se vontade) para aturar os seus velhos. Já não precisam deles para comandar uma economia familiar, para tomar conta das crianças ou para que lhes ensinem coisas da vida. 
Os velhos são deixados de lado, postos de parte, atirados para um canto. Deixam-nos sozinhos em casa com a desculpa de que são eles que querem, enfiam-nos em lares, porque "ficam mais acompanhados com pessoas da mesma idade", permitem que se tornem mendigos.
Cuida-se das crianças porque simbolizam o futuro, mas não se cuida dos velhos porque já passaram à história.
Os velhos passaram a ser os restos do mundo!
Não têm qualquer interesse económico ou social? 
Então: LIXO!


Mas que raio de sociedade é esta, afinal? Valoriza-se a economia, valoriza-se uma estrutura social funcional e as pessoas, hã? E as pessoas?
Onde é que se encaixam as pessoas nesta história? São somente números que produzem números em euros, é? 
E o resto? E a humanidade, e a valorização do ser humano, e o respeito, e o amor? Não servem para nada? São meros adereços para embelezar o carro magnífico, a casa luxuosa, o plasma de 3mX3m, a carteira Louis Vuitton
Pode prescindir-se dos valores, das emoções, do respeito, dos sentimentos, mas não se pode prescindir de uma economia estável?
Podem-se abandonar os velhos para que não desestabilizem a sociedade? 
E que mais se pode fazer em nome do dinheiro? Hã?


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