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Espírito Graxista

Imagem retirada da Internet

Há por aí muita coisa de que não gosto, que me irrita, que me indigna, que me põe fora de mim e o espírito de graxista de certas pessoas é definitivamente uma delas, que ainda por cima, conjuga todas estas minhas três neuroses.

Detesto o espírito graxista dos portugueses em relação aos estrangeiros, detesto o espírito graxista das pessoas que, ao serem contrariadas nas suas afirmações, começam num disparate de elogios ao seu interlocutor para o "amansar" e ganharem vantagem num qualquer debate. Acho que é uma característica baixa, vil, lambe-botas, de falsa subserviência (não que eu aprove a verdadeira subserviência), de carácter duvidoso e de personalidade medíocre.

Na minha humilde opinião, as pessoas devem responsabilizar-se pelo que dizem, devem defender os seus pontos de vista com coerência e determinação e não utilizar estratégias de marketing pessoal de baixo gabarito. 
O espírito graxista não abona, em nada, a impressão que os outros têm de nós, antes pelo contrário, ridiculariza-nos e diminui-nos aos seus olhos. Lamber o ego dos outros é triste, reduz-nos, e dá espaço a alimentarem-se relações fictícias baseadas em algo artificial, plástico e frágil, muito frágil.

Não sou contra elogiarem-se os outros, até sou muito a favor, mas acho que só faz sentido se for genuíno, puro, despretensioso. Caso contrário, soa-me a palhaçada. Também não tenho nada contra os palhaços, mas não gosto muito de me relacionar com eles (desde pequena que caras pintadas que escondem emoções me afligem). Gosto de ler nas expressões faciais e no tom de voz o que é proferido por palavras, para mim, é um conjunto que não deve ser separado, pois perde autenticidade e verdade. E o espírito graxista é isso, a ocultação da verdade através de manobras de diversão, ou melhor, de distracção. É distrair-se o outro com ele próprio para que não repare muito em nós e não nos julgue. Mas sermos julgados é bom, pois leva a que sejamos interpretados e sermos interpretados leva a que sejamos entendidos e respeitados.

"Penso eu de que..."

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