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O Meu Marido (blhac!)

Detesto a palavra "marido"!
Provavelmente, como algumas mentes mais entendidas e brilhantes dirão, tenho algum trauma de infância, de que ainda não me apercebi, ou então, como essas mesmas mentes brilhantes e chatas dirão, talvez a culpa seja de ser filha de pais separados, ter tido um pai pouco presente na infância e, por isso, a imagem que tenho das pessoas do sexo masculino ser um pouco distorcida e blá blá blá, blá blá blá, tenho um problema qualquer, super complexo, que só se resolverá com anos e anos em psicólogos e psiquiatras...
Ok, mentes brilhantes, tenho um problema e o meu problema é detestar a palavra "marido"!

Não gosto de dizer "o meu marido" e se viram, alguma vez, essa expressão aqui escrita é porque eu estava com muita pressa ou porque não me apeteceu esforçar para a contornar.
Desde sempre, eu e o pai do J., o meu marido (blhac!), referíamo-nos um ao outro como "o meu namorado/ a minha namorada". Ultimamente, temos optado por nos referirmos pelo nome próprio. Assim, fugimos ao marido /mulher e damos um ar muito mais adulto e responsável. Uau! Apenas utilizamos o "marido" e a "mulher" em ocasiões mais formais. Vemo-nos como namorados e não como marido e mulher. Possivelmente, somos um bocado infantis e queremos prolongar um estado mais imaturo da relação, sinceramente não sei... (Aposto que as mentes brilhantes defenderiam que a nossa relação não cresceu!)

O "marido / mulher" tem uma conotação pejorativa, pelo menos para mim, remete-me para um imaginário de responsabilidade, direitos e deveres, compromisso e mais uma data de coisas chatas que nada têm de romântico, amoroso ou apaixonante. Não que a nossa relação não tenha um pouco de tudo isso, é óbvio, que mal ou bem, também vai tendo, mas reduzi-la a uma quantidade de obrigações, é menosprezá-la. E eu não a quero menosprezar, pois é uma das minhas mais importantes relações e ele, o meu marido (blhac!), uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Para mim, ser marido /mulher de alguém não é uma coisa boa (e aqui poderão voltar as mentes brilhantes, para me analisarem e concluírem que a separação dos meus pais foi definitivamente um trauma, do qual alguma vez recuperarei), é uma formalidade como outra qualquer em que duas pessoas assinam um contrato em que se comprometem a respeitar um determinado número de regras e onde o facto de se amarem é irrelevante. Na verdade, duas pessoas podem casar-se sem se amarem e duas pessoas que se amam podem viver maravilhosamente sem se casarem. O que quero dizer com isto, é que o casamento não garante nada em termos de amor, garante alguma coisa em termos financeiros e em termos de direitos e deveres, em caso de separação ou de desacordo entre as duas partes, mas no amor "não é perdido nem achado".

Como já disse aqui, casei-me por interesse e o meu interesse foi, caso o cancro me levasse embora daqui para fora, o pai do J. poderia administrar os poucos bens que estavam só em meu nome com maior facilidade e sem ter que lutar com uma quantidade estúpida de burocracias.

No nosso caso, o amor não se alterou nada com o casamento e o casamento também não veio trazer nada de novo ao amor. Eu sei que há por aí pessoas que pensam que o casamento lhes dá legitimidade para exigirem determinadas coisas ao seu marido /mulher, mas elas que se desenganem, pois, quando vão por esse caminho, estão a matar o amor e a transformá-lo em algo material e prático e, como todos sabemos, o amor não tem nada de material ou prático.

Com toda esta conversa, quero apenas dizer que o casamento ou o não-casamento não trazem amor, se ele não existir inicialmente, e que o amor deve estar sempre acima de qualquer casamento e não pode ser sustentado sobre uma base meramente contratual. Caso contrário, a sua elevada importância fica reduzida a uma porcariazinha burocrática.

É por isso, que o meu marido (blhac!) vai ser sempre o meu namorado, o meu amante ou o pai do J. e nunca, mas nunca, o vou ver como marido. (Mesmo que as mentes brilhantes me infantilizem, critiquem ou me passem um atestado de débil mental!)

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