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A Minha Velhota

Ontem, fomos visitar a minha velhota. 
A minha velhota tem 23 anos. Não vos parece velha, pois não? Se vos disser que a minha velhota é uma égua e que cada ano, para um cavalo, corresponde a sensivelmente 4 anos dos nossos, talvez mudem de opinião... Se fizermos as contas, ela terá, mais ou menos, 92 anos. Velhinha, não?

Fui levar-lhe vitaminas, um cobrejão (manta) e desparasitante para que aguente o rigor do Inverno. Estivemos a limpá-la e a untar-lhes os cascos, demos-lhe guloseimas, beijinhos e abraços. 
O J. andou um bocadinho em cima dela, sem arreio, sem cabeçada, sem rédeas... Ela andou devagarinho atrás de mim com cuidado para ele não cair...


Tenho tantas saudades dos passeios que dávamos as duas, só nós as duas... 
Em manhãs, como a de hoje, lá íamos nós pelos montes e vales, a passo, a trote, a galope... Parávamos onde havia erva fresca, eu desmontava e sentava-me no chão a vê-la pastar... Era tão bom! Eram momentos só nossos... Tenho pena de nunca mais a poder montar! Ela está velhota e coxa, mas continua a minha amiga linda, que entende cada gesto meu, cada som, cada pensamento... Segue-me para todo o lado como se fosse um cão, lambe-me as mãos, deixa-me passar por baixo dela, coça a cara em mim como se eu também fosse um cavalo, coça-me as costas com os lábios... Quando a abraço por baixo do pescoço, ela carrega o queixo nas minhas costas como que a retribuir o abraço, a minha velhota... 

A minha éguita está velhota e, um dia, vou ter um desgosto, eu sei... Mas consola-me pensar que ninguém me tira o prazer de recordar os momentos que passámos juntas, que ninguém me tira a nossa história que é de amizade e de amor.


Correcção

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