Avançar para o conteúdo principal

Amamentação

A Adelaide de Sousa, que é mãe de um menino de dois anos e meio, optou por amamentar o filho durante o tempo que ele quiser. 
(Poderão ver a reportagem da SIC AQUI)
Admiro a sua determinação, é necessário ter coragem para andar de maminha-sempre-pronta durante tanto tempo.
Eu dei de mamar ao meu filho até aos nove meses e já não foi nada fácil, quanto mais até "não se sabe bem quando" como a Adelaide. 
O período em que amamentei não foi, o que algumas mães chamam, "período maravilhoso" ou "melhor altura da maternidade", foi até bastante duro. Para terem noção do que me custou amamentar, posso dizer-vos que o meu peito gretava com tanta facilidade que, uma vez, depois de dar de mamar ao J., ele bolçou sangue, e o sangue era meu. Foi um susto que nem imaginam, porque pensei que era dele e que tinha algum problema no estômago.

(A única coisa realmente maravilhosa era estar com ele ao colo e vê-lo com um ar tão sereno e consoladinho).
Apesar de não ter sido um mar de rosas, sempre tentei levar a amamentação avante. Tirava leite quando estava no trabalho, mantinha-o refrigerado e congelava-o quando chegava a casa para, no dia seguinte, enviar para o infantário e, assim, ele beber do meu leite em vez do de lata. 
Algumas pessoas achavam esta minha atitude fundamentalista ou demasiado criteriosa, mas nunca me importei e continuei a fazê-lo enquanto achei que era benéfico.

Hoje, continuo a pensar que fiz bem, porque ao tirar o leite a meio da tarde, aliviava o peito e mantinha a produção de leite mais ou menos inalterada. Fazia-o por ele, mas também por mim. Fiz isto todos os dias até ele ter, mais ou menos, seis meses, depois disso, deixei de tirar leite e ele só bebia do meu quando estava comigo.
Com a introdução do leite artificial, ele deixou, progressivamente, de querer mamar. E, foi desta forma pacífica que deixei de amamentar... sem choros, sem tristezas, sem pena.

Confesso que me fazem confusão as mães que não querem dar de mamar aos filhos para não estragarem o peito, mas não me fazem menos confusão as que a eternizam. É claro que cada caso é um caso e cada mãe sabe de si e do seu rebento, mas se me permitem, há que encontrar o meio-termo para o bem de todos e, dar de mamar até ao um ano, no máximo, parece-me saudável tanto para a mãe como para o filho. 

E vocês o que acham?
Amamentar "nem pensar", amamentar qb, ou amamentar forever?

Mensagens populares deste blogue

Por entre livros e árvores

Estou sentada no sofá do supermercado junto aos livros.

Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

Hoje, levo comigo para o sofá o Lobo Antunes e o Rodrigo Guedes de Carvalho. Vou lendo pedaços de um e de outro. Salto capítulos, reviro os livros e escolho páginas aleatórias na tentativa de entrar nas histórias e nas palavras. Mergulho em parágrafos que me marcam, afundo-me em frases que me fazem eco. Volto à superfície.

Por momentos, desvio o olhar dos livros para perceber o que se passa à minha volta. Entram e saem pessoas do supermercado. Há um homem que passa de guarda-chuva em punho como se fosse uma…

Marcadores: Capítulo 4

Levantou a cabeça. Olhou-me como se fosse pela primeira vez. Senti os olhos a percorrerem-me o rosto. Contornou-me os olhos, a boca, o nariz e parou o olhar para além de mim. É estranha a sensação de nos desenharem com os olhos, vermos-nos estampados na mente dos outros, recortados, colados e redesenhados. Deixamos de ser nós para passarmos a ser uma ideia de nós. Ana desenhou-me, mas abandonou a obra a meio para se colocar a uma distância de segurança. Foi para além de mim e por lá ficou.  - Desculpe tê-lo incomodado. Não devia ter vindo contagiá-lo com a minha tristeza. Estava aqui sossegado a beber a sua cerveja, melhor do que uísque, e vim trazer-lhe tristezas. A minha vida não tem estado fácil… Desculpe-me. É melhor ir-me embora. - Não, deixe-se estar. Estou a gostar de estar consigo. Além disso, não está em condições de ir sozinha para casa. Pelo menos, por agora. – disse-lhe, enquanto observava os dedos que tentavam desfolhar o marcador em forma de flor mais ou menos a meio do li…

Marcadores: Capítulo 1

Sentei-me na mesma mesa do canto. Pedi uma cerveja, acendi um cigarro e fiquei a olhar o mar. A esplanada estava quase vazia. Às três da tarde é normal não haver muita gente por aqui. Está muito calor. É a hora de que mais gosto, porque o vazio do espaço e a paisagem cheia ajudam-me a rascunhar palavras no meu caderninho. Escrevo frases soltas, sem grande nexo, que depois uso nos meus livros. O mar, lá em baixo, no fim da falésia a bater nas rochas e a brisa ligeira, cá em cima, a refrescar-me a mente, libertam as palavras que tenho presas em mim. Preciso de as soltar para voltar ao ténue equilíbrio que me mantém vivo. Trouxeram-me amendoins salgados. Sabem que são os meus aperitivos preferidos para acompanhar a cerveja. Bebo-a com mais gosto e com mais sede. Bebo golos pequenos, o gás faz-me arrotar se a tentar beber de um trago. Por isso, depenico a cerveja, e os amendoins, da mesma forma que sempre depeniquei a vida. Ela surgiu no cimo das escadas que nos leva até à esplanada. Sent…

Marcadores: Capítulo 3

O sol baixou para mais perto da linha do horizonte, ficando a um palmo do mar. Tinha-se passado tempo que não senti. Chet Baker tocava, agora, trompete só para nós. “I talk to the trees” pairava pela esplanada em busca do melhor lugar para se aninhar. Aninhou-se ali, entre mim e aquela mulher-menina. Não havia mais ninguém na esplanada, o casal da única mesa ocupada além das nossas tinha desaparecido, por isso o empregado aumentou o som. Faziam-no sempre que não havia gente que se pudesse queixar do barulho. Nunca me queixei. Antes pelo contrário, era essa a razão que me levava a percorrer quilómetros até ali: o jazz, por vezes alto, quanto mais alto melhor, e o sol a pôr-se no horizonte, quanto mais baixo melhor. - É a primeira vez que aqui venho – interrompeu-me, Ana, os pensamentos como se os lesse e precisasse de lhes responder – Costuma cá vir? - Sempre. Quase todos os dias no verão. - Porque não gosta de Direito? – saltava de tema em tema como se todos estivessem interligados. - Não…