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Violência Doméstica

Imagem retirada da Internet
Ontem, vi um programa na televisão que falava de violência doméstica. É incrível a quantidade de casos que ainda existem por este Portugal fora!
Pessoas que vivem amedrontadas dentro da própria casa com medo daquele/a que escolheram para dividir a sua vida e que, em muitos casos ainda amam (ou pensam que amam).
Mas a violência doméstica não é só o murro, o pontapé, o palavrão e o insulto, é também o desamor com que muita gente vive, é viver-se separado, apesar de sob o mesmo tecto, é ser-se um dentro de casa e outro fora dela, é coabitar onde não há partilha genuína, onde não há autenticidade ou cumplicidade e onde a mentira reina.
Tantos e tantos casais vivem, anos a fio, na mesma casa sem que se conheçam realmente, escondendo a intimidade de cada um, debaixo de desculpas como "manter o mistério" ou "preservar o outro de o ver menos atraente". Mas o que é o amor afinal? Não é gostar do outro no seu todo, com todas as suas qualidades e defeitos? Ou acaba quando nos deparamos com algo que não preenche os requisitos do nosso par ideal?
E há pessoas, que com medo de se mostrarem inteiras, mantêm vidas duplas, triplas, quadruplas... São umas em casa, outras com os amigos, outras com os amantes e ainda outras com o mundo. Quem são elas na realidade? Se juntarmos todas estas múltiplas personalidades, encontraremos alguém? Ou encontramos apenas o vazio?
A violência de não se ser o que se é, de não se assumir quem se é, não será pior que a violência física? Além de se violentar o outro não se estará, também, a violentar-nos a nós próprios, a atentarmos contra a nossa integridade enquanto pessoas? Não estaremos a despersonalizarmo-nos em prol de um amor que na verdade não passa de uma mentira, de uma ilusão, de uma ficção?

Podem chamar-me egoísta à vontade, pois acho, e continuarei sempre a achar, que pior do que o que fazemos aos outros, é o que fazemos a nós próprios e se não assumimos quem somos estamos a negar a razão da nossa existência. E essa é ou não é a maior das violências?

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A sesta

Às vezes ainda sinto o cheiro do colchão forrado a plástico impermeável azul do infantário. Volto à sala dos quatro anos, onde, na semi-obscuridade, tento dormir.
Vejo as persianas descidas quase até acima e conto os quadradinhos de luz que saem das duas últimas filas dos estores que ficaram por fechar. Fixo os olhos na luz e na vontade de sair para rua num dia bonito de Verão. Estou aprisionada naquela sala transformada em dormitório infantil e sinto, hoje, a mesma impaciência que sentia pelo fim da hora da sesta.

A Preciosa e a Isabel cochicham junto à porta, enquanto controlam quem ainda não dorme. Estão sentadas nas cadeiras minúsculas e rodeadas por um clarão de luz. Invejo-as por ninguém as obrigar a dormir, por estarem ali na conversa, ao contrário de mim que estou aprisionada no colchão com a cara colada ao plástico azul. Tento descolar-me do colchão, mas o movimento da minha cabeça denunciar-me-ia às educadoras.
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"Bom dia e as melhoras!"

IPO - 9h da manhã

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Sento-me no sofá por baixo da televisão e de frente para os espectadores pouco atentos às notícias da manhã.
O ar que se respira nas salas de espera do IPO é sempre um pouco solene. Vive-se a incerteza e espera-se o desconhecido. O silêncio e as palavras ditas em murmúrios impregnam o ambiente de uma musicalidade suave. Como se fosse o som de fundo de uma floresta imergida na fatalidade perene.

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Macacos do Nariz

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As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ...  O J. diz: -Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...
Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 
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As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...

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Não sou pessoa de dar desprezo a ninguém. Gosto de discutir, trocar ideias e pontos de vista e, por fim, de chegar a um consenso. Resolver a questão, arrumá-la ou atirá-la para trás das costas, porque a conversa nos iluminou os pensamentos difusos. Mas há pessoas, com as quais isso não é possível. Facto este, que me chateia particularmente... Gostava de conseguir esclarecer assuntos que acabam por ficar no ar e que geram mal-entendidos. Mas nem sempre consigo. Muitas vezes, não consigo. Ou porque a outra parte não está para aí virada, ou, pura e simplesmente, porque a única coisa que está disposta a ouvir é a sua própria voz. Tenho que admitir que, nestes casos, a melhor arma é o desprezo. Se o principal objectivo do nosso interlocutor é magoar-nos, enxovalhar-nos ou obrigar-nos a admitir que a razão nunca o abandona, não há matéria para discussão, nem vontade... Resta, apenas, o desperdício do nosso latim, atirado, com força, contra uma parede maciça, que acaba por o fazer evaporar …