Avançar para o conteúdo principal

A Profissão dos Filhos

Não consigo concordar com os pais que vêem os filhos como uma extensão deles próprios e querem, à viva força, que lhes sigam as pisadas ou que realizem o que eles não realizaram. Desculpem-me, mas não consigo!

Quando vejo pais que põem os filhos a jogar num qualquer clube de futebol de renome ou a inscreverem as filhas numa qualquer agência de modelos famosa, para serem o jogador de sucesso que eles não conseguiram ser ou para serem as top-models que desejariam ter sido, sinto-me revoltada pela falta de respeito que demonstram por aqueles que geraram.

Partilharmos os nossos gostos e preferências com os filhos é uma coisa. Agora, impingirmos-lhes a profissão que temos ou que queríamos ter tido é outra completamente diferente! Na minha opinião, é a nossa obrigação abrirmos-lhes os horizontes para que eles (e só eles) decidam em consciência o que querem fazer com uma vida que é deles. Abrir os horizontes é mostrarmos-lhes que existem vários caminhos e que podem optar por um ou vários conforme desejarem.

Os filhos não são nossa propriedade, são propriedade deles próprios! Podemos não concordar, podemos até achar que estão a cometer o maior dos erros ao seguirem por determinado caminho, mas este pertence-lhes e têm que ser eles encontrar as pedras e os buracos para perceberem que aquele não é o melhor percurso a seguir, ou pelo contrário, aprenderem a saltar sobre as pedras e a evitar os buracos do caminho que escolheram. A nós, só nos resta mesmo apoiá-los, aconselhá-los e confortá-los quando de nós necessitarem...

E é, quando penso nisto, que acho que este pensamento de José Saramago faz mais sentido:

"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior acto de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente... da incerteza de estar agindo correctamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".

Comentários

  1. Cobertíssima de razão!
    Os filhos não são as nossas segundas oportunidades!!!
    Beijos

    ResponderEliminar
  2. Concordo plenamente contigo.
    Também há pais que sonham com a fama, com a ascensão tipo meninos morangos com açucar e vá daí colocar os meninos em agências e afins.
    Temos de os apoiar e abrir caminhos, estar sempre por trás para amparar e ajudar a levantar depois de uma queda e nunca querer que sejam o que nós não o conseguimos ser.
    bj**

    ResponderEliminar
  3. Concordo totalmente...O pensamento do Saramago é sublime*

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...

Mensagens populares deste blogue

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…