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"A Gente Não É Burras, A Gente É Distraídas!"

À entrada do parque de estacionamento grátis de um centro comercial já nosso conhecido, ao ver a indicação de quantos lugares estão livres, eu pergunto:
-Como é que eles sabem qual a quantidade de lugares livres se não temos que tirar bilhete à entrada?
(Agora percebem de onde vem a língua perguntadora do J., não percebem?)
O J. responde:
-Pelas luzinhas que estão no tecto!
-Luzinhas? Quais luzinhas?
-Aquelas, olha! Há umas verdes e umas vermelhas. As verdes estão por cima dos lugares que não têm carros e as vermelhas estão por cima das que têm...
-Nunca tinha reparado! J., como sabes isso? Quem te disse?
-Ninguém, fui eu que vi. E se reparares nos lugares para deficientes tem uma luz azul!
-Tu percebeste isso tudo sozinho?
-Sim, mãe. Repara, aquele lugar não tem carro e tem a luz verde, vês?

Ok, se calhar a teoria das loiras burras não está assim tão longe da verdade...

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Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Ler e escrever

Há uma candura e uma vontade de regressar à infância de quem lê e escreve. Ler, e escrever, vai para lá do que é o real. Leva-nos para um mundo imaginário, conduzido por quem escreve, mas só nosso, tão pessoal. Talvez por isso, ler e escrever sejam estreitos encontros com a solidão...

Quando se lê um livro, mergulha-se numa dimensão à parte. Trilha-se um caminho de ficção e trilha-se outro que só existe no nosso interior. Percorrem-se as dúvidas e as certezas, os sonhos e a realidade, como se fossem sempre tão próximos. Parte-se da fantasia para a existência, sem nunca se sair completamente de dentro de nós.
Ler, e escrever, é uma viagem ao tempo em que a imaginação nos comandava as emoções. É explorar o quarto escuro que nos apavorava ou os jardins que nos deslumbravam. É ir, e não voltar, aos lugares onde nos sentíamos sós e incompletos, mas ao mesmo tempo cheios de desconhecimento, inocência e ilusão.
Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…