Avançar para o conteúdo principal

Definitivamente, o meu filho é mesmo meu filho!

Se dúvidas houvessem sobre o J. ser meu filho, elas acabariam, como que por magia, ao verem-nos ir às compras.

Ontem, tivemos que ir comprar sapatos para o rapaz. Primeiro, foram só ele e o pai, comprar ténis, depois eu juntei-me a eles para comprar as botas de Inverno e algumas camisolas que estavam em falta. 

O pai, que gosta de ir às compras, estava todo entusiasmado a procurar camisolas naqueles montes de roupa que eu abomino, enquanto eu bufava por todos os lados com o calor que estava na loja e devido à minha falta de paciência... O J. via-se em todos os espelhos que encontrava e dançava ao estilo do Michael Jackson para se distrair da seca que estava a apanhar...
Quando lhe púnhamos uma camisola à frente para ver se servia, não conseguia estar quieto. (A mesma impaciência que já se tinha apoderado de mim, estava a tomar conta dele...)
Felizmente, saímos da loja com duas camisolas na mão, mas precisávamos de mais e ainda faltavam as botas...

No caminho para a loja seguinte, o miúdo pergunta:
-Não podemos ir à livraria?
-Não, hoje viemos comprar roupa!
(Como eu preferia ir para livraria com ele e ficarmos a deliciarmo-nos no meio dos livros infantis...)

Mal entrámos noutra loja, o J. diz:
- Quero sentar-me!
(Também eu queria...)
Ao que eu lhe respondi para se sentar e esperar enquanto nós procurávamos mais camisolas e as botas...

O pai, com uma calma e paciência invejáveis, procurava as camisolas por entre os cabides, eu procurava tudo à pressa para sair dali o quanto antes, o J. revirava-se no banco enquanto esperava...

Quando lhe demos umas botas para experimentar, afirmou que estavam todas boas, tanto as maiores como as mais pequenas... Ele queria era despachar aquilo!

O pai ainda estava disposto a ir procurar mais camisolas, mas nós já estávamos pelos cabelos e à sugestão dele de irmos a mais lojas, o J. responde que já estava farto e eu (com uma grande vontade de dizer o mesmo) digo que noutro dia viria às compras com mais calma...

É por estas e por outras, que se desfazem todas as dúvidas possíveis de não ser eu a mãe dele...
O rapaz pode ser a cara chapada do pai, ser distraído como ele, ter gestos e expressões que são autênticas fotocópias do pai, mas a aversão por compras é decididamente resultado da contribuição dos meus genes na sua concepção! Pode não ser uma daquelas características que não nos deixam cheios de orgulho, mas eu revejo-me completamente nela!
Ah! E o crescimento à velocidade da luz, que nos faz ter que lhe comprar roupa de 3 em 3 meses, também ajuda a provar que o meu contributo, para esta grande obra de arte que é o meu filho (podem procurar à vontade, que não vão encontrar nesta afirmação nem um vislumbre de modéstia!) foi mais do que carregá-lo no útero durante 9 meses, pois, para quem não sabe, os meus 1,80 cm de altura foram acompanhados por muita roupinha curta sempre pronta a ser substituída por tamanhos muito acima dos indicados para a minha idade!

Mensagens populares deste blogue

Marcadores: Capítulo 5

Ana entrou no quarto, sentou-se na beira da cama, acariciou o rosto da mãe e perguntou: - Como te sentes hoje? - Mais ou menos. Agora, não tenho dores. - Ao menos isso... Queres que te traga alguma coisa? - Não, obrigada. Fica só aqui comigo a conversar. - Fico pois! – disse enquanto massajava a mão da mãe para a aquecer. Ana visitava Cármen diariamente. Aparecia geralmente ao fim do dia, porque trabalhava até tarde. Detestava só sair do trabalho depois do sol-posto, especialmente agora que a mãe precisava tanto dela. - Dormiste bem? – perguntou sem lhe lagar a mão gelada. - Sim, tenho a sensação – parou para respirar - que consegui dormir algumas horas seguidas – continuou a custo. Acariciou a mão da filha como se ainda fosse uma mão pequenina que poderia guardar dentro da sua. Observou-lhe o rosto com ternura e articulou as palavras devagarinho: - Filha, nunca mais me falaste do teu trabalho. Como está a correr? Ana resumiu as últimas semanas de trabalho. Falou dos colegas, que ainda não es…

Por entre livros e árvores

Estou sentada no sofá do supermercado junto aos livros.

Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

Hoje, levo comigo para o sofá o Lobo Antunes e o Rodrigo Guedes de Carvalho. Vou lendo pedaços de um e de outro. Salto capítulos, reviro os livros e escolho páginas aleatórias na tentativa de entrar nas histórias e nas palavras. Mergulho em parágrafos que me marcam, afundo-me em frases que me fazem eco. Volto à superfície.

Por momentos, desvio o olhar dos livros para perceber o que se passa à minha volta. Entram e saem pessoas do supermercado. Há um homem que passa de guarda-chuva em punho como se fosse uma…

Marcadores: Capítulo 4

Levantou a cabeça. Olhou-me como se fosse pela primeira vez. Senti os olhos a percorrerem-me o rosto. Contornou-me os olhos, a boca, o nariz e parou o olhar para além de mim. É estranha a sensação de nos desenharem com os olhos, vermos-nos estampados na mente dos outros, recortados, colados e redesenhados. Deixamos de ser nós para passarmos a ser uma ideia de nós. Ana desenhou-me, mas abandonou a obra a meio para se colocar a uma distância de segurança. Foi para além de mim e por lá ficou.  - Desculpe tê-lo incomodado. Não devia ter vindo contagiá-lo com a minha tristeza. Estava aqui sossegado a beber a sua cerveja, melhor do que uísque, e vim trazer-lhe tristezas. A minha vida não tem estado fácil… Desculpe-me. É melhor ir-me embora. - Não, deixe-se estar. Estou a gostar de estar consigo. Além disso, não está em condições de ir sozinha para casa. Pelo menos, por agora. – disse-lhe, enquanto observava os dedos que tentavam desfolhar o marcador em forma de flor mais ou menos a meio do li…

Marcadores: Capítulo 1

Sentei-me na mesma mesa do canto. Pedi uma cerveja, acendi um cigarro e fiquei a olhar o mar. A esplanada estava quase vazia. Às três da tarde é normal não haver muita gente por aqui. Está muito calor. É a hora de que mais gosto, porque o vazio do espaço e a paisagem cheia ajudam-me a rascunhar palavras no meu caderninho. Escrevo frases soltas, sem grande nexo, que depois uso nos meus livros. O mar, lá em baixo, no fim da falésia a bater nas rochas e a brisa ligeira, cá em cima, a refrescar-me a mente, libertam as palavras que tenho presas em mim. Preciso de as soltar para voltar ao ténue equilíbrio que me mantém vivo. Trouxeram-me amendoins salgados. Sabem que são os meus aperitivos preferidos para acompanhar a cerveja. Bebo-a com mais gosto e com mais sede. Bebo golos pequenos, o gás faz-me arrotar se a tentar beber de um trago. Por isso, depenico a cerveja, e os amendoins, da mesma forma que sempre depeniquei a vida. Ela surgiu no cimo das escadas que nos leva até à esplanada. Sent…