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A Separação dos Pais

Imagem retirada da Internet
Este assunto tem andado na minha cabeça desde pequena. Desde que os meus pais se separaram, que tento perceber o que é que eu faria se fosse mãe e se me separasse. 
Possivelmente, teria feito o mesmo que eles, dada a época em que aconteceu, mas, sinceramente, não sei ...

Nos dias de hoje e a partir do momento em que deixei de ser só filha e passei a ser também mãe, comecei a achar que não lutaria por um poder paternal exclusivamente meu. Gosto da ideia da custódia repartida, acho-a mais saudável para todos, especialmente para os filhos. A imagem de os ver a saltitar entre a casa da mãe e a casa do pai, assusta algumas pessoas, mas eu prefiro-a às restantes opções.

Não será melhor, para as crianças, terem duas casas a serem privadas do convívio com um dos progenitores ou a só contactarem com ele num fim-de-semana em cada 15 dias? 

Eu acredito que sim, até porque ter duas casas, não é assim tão mau ... É possível fazer com que as crianças se sintam bem nos dois lados, basta que elas percebam que o seu ninho é constituído por dois quartos e duas vidas diferentes.

Como mãe poderia dizer "não, quero que o meu filho fique comigo!" Isso não seria verdade, porque realmente não quero que ele fique comigo, quero que fique com os dois e se estivermos separados ficará com os dois da mesma maneira, mas em separado.
Não me considero mais importante do que o pai na vida dele, nem sequer penso que temos papéis diferentes. Temos o mesmo papel de educadores e de pessoas que o amam e como tal completamo-nos a executá-lo da melhor maneira que conseguimos.

Se há coisa que me ultrapassa são os pais que utilizam as crianças como arma de arremesso entre eles, penso que há aqui uma total falta de respeito pelos filhos, enquanto seres únicos e independentes de quem os concebeu. 

Os nossos filhos são pessoas, não são meros instrumentos para chantagens emocionais. Eles têm necessidades, gostos, desejos e sonhos que devem ser respeitados e levados em consideração sempre e, especialmente, quando os pais se separam. Já basta a reviravolta que uma separação provoca na vida dos filhos, quanto mais ainda terem que levar com os "ódiozinhos de estimação" que as pessoas que mais amam nutrem uma pela outra!

Durante alguns processos de divórcio, os pais esquecem-se de proteger os filhos, por estarem demasiado concentrados numa luta que, à partida, já está perdida. Quando uma relação acaba, há que fechá-la e colocá-la no álbum de recordações. Não adianta tentar magoar o outro, porque se ele já não nos ama, não vai ficar magoado e, no final, quem sofre são os filhos.
Eu sei que não é fácil, mas é necessário fazer um esforço, nem que ele tenha que ser sobre-humano para não magoar os únicos inocentes da história que são indiscutivelmente os filhos.

Acredito que haja situações em que o melhor para os filhos é serem afastados de um dos pais ou até mesmo dos dois. Nos casos em que estes ponham em perigo a integridade física ou psicológica das crianças, devem ser imediatamente afastados e não só depois de matarem ou traumatizarem irremediavelmente alguém.
É nestes casos, quando o bom senso não chega ou não existe de todo, que é necessária a intervenção da lei e dos tribunais, até aí, penso que a capacidade de discernimento dos pais é suficiente.

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