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Pessoas

É verdade, esta história de se ser mãe não é nada fácil, não só porque temos que dar o nosso melhor na educação dos filhos, mas também porque temos que lidar com uma grande variedade de pessoas que interagem com eles.

Quando nos deparamos com alguém que não se segue pelos mesmos padrões educativos que nós, a coisa fica muito complicada e piora quando essa pessoa têm um papel importante na formação dos pequenotes.

Assisti a uma dose de ressentimentos, expelidos por uma boca cheia de incompreensão do que eu sou enquanto mãe, convencida que estava repleta de sapiência ...

É doloroso para uma mãe, que se esforça tanto por gerir os elogios que dá a um filho, para que este não perca a auto-estima, com os desapontamentos que ele tem que viver para que se torne mais forte, ouvir dizer que é aquele tipo de mãe permissivo ao ponto de estar criar um pequeno ditador. Ainda mais, quando a pessoa que profere estas palavras não sabe do que está a falar por, simplesmente, se negar a tentar perceber a complexidade da situação em que a mãe teve que colocar o filhote debaixo da asa.

As regras existem dentro desta casa desde sempre e têm uma importância tal, que tivemos que as tornar mais flexíveis, pois estavam a carregar o meu filho de frustração ao ponto de ele explodir à mínima contrariedade e o estarem a tornar numa criança triste. No entanto, elas não deixaram de existir, continuam a ser as directrizes para um crescimento saudável e a ser respeitadas criteriosamente, apenas adquirindo uma maior margem de manobra.

O meu filho é das crianças mais respeitadoras das regras instituídas, ao ponto de respeitar uma dieta equilibrada mesmo quando lhe damos a oportunidade de dar uma "facadinha" na mesma e apesar de adorar doces e guloseimas. No entanto, só respeita as regras que lhe são explicadas. A autoridade isolada, sem uma explicação plausível não faz nele qualquer efeito a não ser aumentar-lhe os maus comportamentos e torná-lo frustrado e incontrolável por pessoas que lhe inspiram medo em vez de respeito.

Quando uma pessoa se quer dar ao respeito através do medo, em vez de ser através do próprio respeito (tanto o que exige aos outros como o que nutre pelos outros) está condenada ao fracasso. A incompreensão deste facto torna-a ainda mais vulnerável e, ao mínimo deslize, é derrubada do pedestal em que deliberadamente se coloca.

Quando uma pessoa destas nos julga por respeitarmos as fragilidades do nosso filho, é penoso e é-o, sobretudo, quando percebemos que por mais que lhe expliquemos, nunca nos vai entender ...


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Por entre livros e árvores

Estou sentada no sofá do supermercado junto aos livros.

Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

Hoje, levo comigo para o sofá o Lobo Antunes e o Rodrigo Guedes de Carvalho. Vou lendo pedaços de um e de outro. Salto capítulos, reviro os livros e escolho páginas aleatórias na tentativa de entrar nas histórias e nas palavras. Mergulho em parágrafos que me marcam, afundo-me em frases que me fazem eco. Volto à superfície.

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