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MUDE

Como apreciadora que sou da Pop Art em geral e de Andy Warhol, Keith Haring e Roy Lichtenstein em particular, tudo o que são peças de arte ou de design coloridas, vanguardistas e a cair para o pós-moderno seduzem-me o suficiente para me fazerem sair de casa apenas para as ir contemplar.

Deste modo, e como as oportunidades não se devem desperdiçar, na hora que durou entre ir buscar os bilhetes reservados ao teatro e o início da peça, eu e este homem que me atura há uns aninhos, demos um saltinho ao Mude - Museu do Design e da Moda, na Rua Augusta, que já conhecíamos e que gostamos de revisitar sempre que possível, pois além de ser um dos pontos em que estamos em consonância, aproveitamos para nos actualizarmos do que de novo se faz em design.

Uma das peças que nos deixa sempre a salivar é este sofá, que ficaria perfeito na nossa sala, entre muitas outras coisas, que nunca poderíamos comprar, mas que ali podemos apreciar de graça!

Imagem roubada, a título de empréstimo, ao site do MUDE
Pois é, a entrada no MUDE é gratuita (ainda). Se partilham do meu gosto por design ou se são apreciadores de peças de vestuário inovadoras, criadas por designers de moda famosos, talvez fosse bom aproveitarem e fazerem-lhe uma visitinha, enquanto não se lembram de começar a cobrar bilhetes a peso de ouro!

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A sesta

Às vezes ainda sinto o cheiro do colchão forrado a plástico impermeável azul do infantário. Volto à sala dos quatro anos, onde, na semi-obscuridade, tento dormir.
Vejo as persianas descidas quase até acima e conto os quadradinhos de luz que saem das duas últimas filas dos estores que ficaram por fechar. Fixo os olhos na luz e na vontade de sair para rua num dia bonito de Verão. Estou aprisionada naquela sala transformada em dormitório infantil e sinto, hoje, a mesma impaciência que sentia pelo fim da hora da sesta.

A Preciosa e a Isabel cochicham junto à porta, enquanto controlam quem ainda não dorme. Estão sentadas nas cadeiras minúsculas e rodeadas por um clarão de luz. Invejo-as por ninguém as obrigar a dormir, por estarem ali na conversa, ao contrário de mim que estou aprisionada no colchão com a cara colada ao plástico azul. Tento descolar-me do colchão, mas o movimento da minha cabeça denunciar-me-ia às educadoras.
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"Bom dia e as melhoras!"

IPO - 9h da manhã

Indicam-me a sala de espera da radiologia. Há uma televisão que vai distraindo as pessoas sentadas, alinhadas, de frente para ela.
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O ar que se respira nas salas de espera do IPO é sempre um pouco solene. Vive-se a incerteza e espera-se o desconhecido. O silêncio e as palavras ditas em murmúrios impregnam o ambiente de uma musicalidade suave. Como se fosse o som de fundo de uma floresta imergida na fatalidade perene.

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Marcadores #6

- A Gabrielle é inocente, podes acreditar! Quando a conheceres vais ter vontade de a defender, vais ver – Cármen estava exausta, por isso Ana resolveu fazer uma pausa na conversa para a mãe descansar. Levantou-se e dirigiu-se à cozinha para ir buscar um copo de água. Quando voltou, abriu a gaveta da mesinha-de-cabeceira e tirou várias qualidades de comprimidos. Olhou para o papelinho que os acompanhava que descrevia as quantidades e horários e começou a separar os que pertenciam àquela hora. Juntou seis que Cármen teria de deglutir uns atrás dos outros. Passou-os um a um, para a mão da mãe, que os tentou empurrar garganta abaixo com a ajuda de doridos golos de água.             Cármen quebrou o silêncio para dizer que guardava cartas trocadas com Gabrielle no tempo em que a amiga trabalhou na Alemanha e que gostava que a filha as lesse. Era uma forma de conhecer Gabrielle, explicou. Apontou para uma caixinha de madeira que se encontrava sobre a cómoda debaixo da janela que continh…