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A Máquina

A máquina trabalha incansavelmente sempre ao mesmo ritmo. Faz o mesmo trabalho diariamente sem saber que o faz, repete, e repete, e repete...
A máquina não aceita velocidades sem ritmo, cadências desgovernadas, não aceita desequilíbrios, formatos diferentes... Trabalha independentemente da sua vontade e para isso, basta que lhe carreguem no on... Se por algum motivo pára ou dá erro, alguém tem que o resolver e voltar a pô-la a trabalhar... Só faz aquilo para o qual está programada, tudo o que fuja aos parâmetros convencionais, não está habilitada e pára, apita, dá erro. Se há algumas que permitem ser reprogramadas ou actualizadas, outras não... E ficam no mesmo movimento até que, enfim, alguém, cansado do seu barulho, ou do seu movimento monótono, prima off.

Se, por exemplo, observarmos com atenção, a máquina que coloca tampas em garrafas, podemos perceber facilmente que se lá pusermos um copo, ela não o tapa, deixa cair a tampa no seu interior como se não se tratasse de um copo e continua a trabalhar na sua intensa monotonia cadenciada. Ela não vê o copo, ela nem sabe que é um copo, porque só está programada para a garrafa. E o copo não fica tapado...

Se há monotonia que incomoda é a do ser humano que, tal máquina, cego da repetição do seu movimento e alheio à competência do seu gesto, carrega sempre na mesma tecla e carrega, e carrega, e carrega...
Por mais trombadas que leve, não aprende e mal cesse a dor que elas lhe provocam, continua a carregar na tecla para a qual está programado, sem dar espaço a reprogramações ou actualizações... E o pior de tudo isto, é que este não tem botão de off...

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Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
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Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
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Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
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Ler, e escrever, é um exercício egoísta, em que não cabe lá mais ninguém para além d…