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A Máquina

A máquina trabalha incansavelmente sempre ao mesmo ritmo. Faz o mesmo trabalho diariamente sem saber que o faz, repete, e repete, e repete...
A máquina não aceita velocidades sem ritmo, cadências desgovernadas, não aceita desequilíbrios, formatos diferentes... Trabalha independentemente da sua vontade e para isso, basta que lhe carreguem no on... Se por algum motivo pára ou dá erro, alguém tem que o resolver e voltar a pô-la a trabalhar... Só faz aquilo para o qual está programada, tudo o que fuja aos parâmetros convencionais, não está habilitada e pára, apita, dá erro. Se há algumas que permitem ser reprogramadas ou actualizadas, outras não... E ficam no mesmo movimento até que, enfim, alguém, cansado do seu barulho, ou do seu movimento monótono, prima off.

Se, por exemplo, observarmos com atenção, a máquina que coloca tampas em garrafas, podemos perceber facilmente que se lá pusermos um copo, ela não o tapa, deixa cair a tampa no seu interior como se não se tratasse de um copo e continua a trabalhar na sua intensa monotonia cadenciada. Ela não vê o copo, ela nem sabe que é um copo, porque só está programada para a garrafa. E o copo não fica tapado...

Se há monotonia que incomoda é a do ser humano que, tal máquina, cego da repetição do seu movimento e alheio à competência do seu gesto, carrega sempre na mesma tecla e carrega, e carrega, e carrega...
Por mais trombadas que leve, não aprende e mal cesse a dor que elas lhe provocam, continua a carregar na tecla para a qual está programado, sem dar espaço a reprogramações ou actualizações... E o pior de tudo isto, é que este não tem botão de off...

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