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Indignada

Fui à manifestação de sábado, porque estou indignada com o caminho que este país está a seguir e porque sou uma indignada por natureza!
Indigna-me este governo, tal como me indignaram os outros, indigna-me este povo adormecido, indigna-me este mundo agarrado à economia e esquecido do humanismo, indigna-me esta humanidade desumana...

Fui lá, a acreditar que seria mais uma a contabilizar num grupo que quer democracia verdadeira e crê que as pessoas são mais importantes que os euros.

Enquanto ali estive, não me apercebi de atitudes menos pacíficas, mas, um pouco mais tarde, parece que a coisa descambou por momentos, regressando depois à calma inicial.
Não assisti a actos de violência, mas encontrei algumas marcas de vandalismo enquanto regressava para o carro.

Por esse motivo, a minha indignação abrange alguns manifestantes, que aproveitam a ocasião para invadirem os super-mercados e cafés das redondezas onde compram (quando compram) litradas de cerveja com que se embebedam até caírem para o lado... E depois, já bem regados, vão fazer porcaria pela cidade, insultam os polícias, estragam o que estiver por perto e sentem-se uns grandes heróis, até porque têm toda a comunicação social de olhos em cima deles a registarem cada um dos seus feitos heróicos e claro, esta é uma oportunidade de ficarem para a História que não podem perder de maneira nenhuma.
No meio de tanta euforia, até se esquecem do que estão ali a fazer (se é que alguma vez o souberam) e fazem tudo o que é contrário às ideias defendidas!

Felizmente, a manifestação não era só constituída por elementos do partido da Super Bock, tinha pessoas convictas dos seus ideais e com força para lutarem pelos NOSSOS interesses, que empunhavam cartazes numa iniciativa de orgulho e esperança.

Esta manifestação foi mais frutífera do que eu esperava, pois além de ter sido a nível mundial e com a participação de tanta gente, também serviu para o J. aprender umas coisinhas: Já sabe o que é 99%, estar indignado, que as pessoas (às vezes) lutam pelos seus direitos, que a Assembleia é em São Bento e é onde os deputados se reúnem (como os vemos na televisão, a discutir uns com os outros) e que o Cavaco Silva é um pastel de Belém. 

Ontem, ele aprendeu mais do que num dia inteiro cheio de aulas. Se esta expressão colectiva não contribuir para melhorar o país, pelo menos o J. já pode por no curriculum que frequentou um workshop de cidadania, que, como sabemos, também não lhe servirá de nada, no futuro, para arranjar emprego... 

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